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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Epifania do Senhor

Queridos irmãos e irmãs!
   
Celebramos hoje a solenidade da Epifania do Senhor. É uma festa muito antiga, que tem a sua origem no Oriente cristão e coloca em realce o mistério da manifestação de Jesus Cristo a todos os povos, representados pelos magos que foram adorar o Rei dos Judeus recém- nascido em Belém, como narra o Evangelho de Mateus (cf. 2,1-12). Aquela "luz nova" que se acendeu na noite de Natal (cf. Prefácio de Natal I), hoje, começa resplender no mundo, como sugere a imagem da estrela, um sinal celeste que atraiu a atenção dos Magos e guiou-os na sua viagem rumo à Judeia.



Todo o período do Natal e da Epifania é caracterizado pelo tema da luz, ligado também ao fato de que, no hemisfério norte, após o solstício de inverno, o dia volta a ser mais duradouro que a noite. Mas, para além da posição geográfica, para todos os povos vale a palavra de Cristo: "Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida" (Jo 8,12). Jesus é o sol aparecido no horizonte da humanidade para iluminar a existência pessoal de cada um de nós e para guiar-nos todos juntos rumo à meta da nossa peregrinação, rumo à terra da liberdade e da paz, em que viveremos para sempre em plena comunhão com Deus e entre nós.

O anúncio deste mistério de salvação foi confiado por Cristo à sua Igreja. "Isso - escreve São Paulo - foi revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas. A saber: que os gentios são co-herdeiros conosco (que somos judeus), são membros do mesmo corpo e participantes da promessa em Jesus Cristo pelo Evangelho" (Ef 3,5-6). O convite que o profeta Isaías destinava à cidade santa de Jerusalém pode-se aplicar à Igreja: "Levanta-te, sê radiosa, eis a tua luz! A glória do Senhor se levanta sobre ti. Vê, a noite cobre a terra e a escuridão, os povos, mas sobre ti levanta-se o Senhor, e sua glória te ilumina" (Is 60,1-2). É assim: o mundo, com todos os seus recursos, não é capaz de dar à humanidade a luz para orientar o seu caminho. Percebemos isso também em nossos dias: a civilização ocidental parece ter esquecido a orientação, navega à deriva. Mas a Igreja, graças à Palavra de Deus, vê através destas neblinas. Não possui soluções técnicas, mas tem o olhar voltado à meta, e oferece a luz do Evangelho a todos os homens de boa vontade, de toda a nação e cultura...
                                                                      

                                                                                    



   Angelus de Bento XVI - 06/01/2012

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

a.C ou d.C???

Neste dia, em que estamos nas oitavas do Natal do Senhor, celebramos o primeiro mártir cristão: Estevão. 
Ontem celebrávamos o nascimento do Senhor. E assim, Deus nos convida a deixar Jesus nascer em nossa vida. A deixar a graça do Natal acontecer em nossas vidas, em nossas famílias... Todos os anos somos chamados a celebrar este acontecimento que até podemos chamar de histórico, que marcou toda a história, mas sobretudo marcou toda a humanidade, e marcou a minha e a sua história. O Natal é momento de fazer compras, é momento de fazer amigo ocultos entre os amigos do trabalho, da faculdade, dos grupos, é momento de trocar presentes, de fazer a ceia, reunir a família, não economizamos em nada, mas para que tudo isso se não entendemos o grande sentido desta celebração? É perder muita coisa não aproveitar esta celebração no seu real sentido. Natal feliz é Natal com Jesus. Pode até ser meio estranho dizer isso porque não é o nascimento dele comemorado no dia 25? É sim, mas o verdadeiro sentido se perde quando achamos que é simplesmente uma festa, onde o mundo inteiro pára, enfeita as casas, as ruas, o comércio...Quando não vemos o sentido verdadeiro no Natal, ficamos olhando somente para o que faltou, se faltou algo na ceia, para o presente que não ganhou ou que podia ser diferente, ficamos tristes pela falta das pessoas que já se foram e não fizeram parte da ceia neste ano... Natal é tempo de conversão. É tempo de deixar o Menino nascer e marcar a nossa história. E você, em que tempo da sua história está a.C. ou  d.C.???

"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Is9:6" O Menino se chama Deus conosco, se chama o Caminho, a Verdade, a Vida, a Palavra, que sustenta todo o universo e pelo qual todo o universo foi criado. Se chama Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Principe da Paz. Tudo foi feito por ele e sem ele nada foi feito. Deixe Jesus nascer, marcar a sua história e transformar a sua vida. Se você está vivendo na era antes de Cristo, e "é desses" onde "quem com ferro fere, com ferro será ferido", que "farinha pouca meu pirão primeiro", que você diz "quem fala o que quer ouve o que não quer". Se em seu coração só existe amargura, orgulho, grosseria, inveja, maus pensamentos, raiva, disputa, etc... Hoje é o dia de você mudar de era. Viva o Natal de Jesus em sua vida! Deixe o Menino nascer em seu coração vivendo a conversão a que todos os dias somos chamados. Viva esta metanóia, mude de direção, quando o menino nasce sua imensa Luz dissipa toda treva. Natal é tempo de conversão, de mudança de vida, de viver o amor, a reconciliação, de buscar a santidade. Jesus veio, vem e virá. Não queremos ser pegos despreparados! Que quando nosso Senhor voltar sejamos como as virgens que foram prudentes e estavam preparadas para a chegada do Esposo.

Que a exemplo de Santo Estevão, possamos ser contradição neste tempo. Vivendo radicalmente o amor, o perdão, a santidade, se for preciso até a morte. Quando deixamos o Menino nascer, não há como conter, nossa missão é falar desse Menino que traz de volta a esperança, a paz, a alegria... Santo Estevão falava com a Sabedoria vinda de Deus. O Menino tem o poder de falar direto ao nosso coração, ele nos incomoda, não podemos mais ser os mesmos quando o Menino nasce em nossos corações.

No Evangelho de hoje o Senhor diz que "quem perseverar até o fim será salvo" que neste Natal possamos Recomeçar com Deus, e sermos anunciadores de Jesus falando com a Sabedoria dada por Deus perseverando nos ensinamentos que aprendemos do Senhor. 

E a recompensa para fidelidade é contemplar a Glória de Deus. O fruto da perseverança de Estêvão era ser cheio do Espírito Santo. Seja fiel, a vida vai te dar várias oportunidades de ser fiel ao Senhor e quando as circunstancias te derem a opção de dizer sim ou não ao Senhor não pense duas vezes! Seja generoso no SIM ao Senhor, seja fiel custe o que custar, seja perseverante no amor, no perdão, na esperança e você não se arrependerá.

Vamos orar, diga ao Senhor seu desejo de se converter, o desejo de que ele nasça em seu coração, em sua família...

Jesus Menino, quero recomeçar, não quero mais viver no pecado, com o coração amargurado, sendo instrumento das trevas, com ódio, rancor, inveja, ciúmes, palavrões, palavras malditas em meu coração. Nasce aqui no meu coração, ilumina as trevas com tua luz. Faz de mim uma nova criatura. Quero amar, quero perdoar, quero voltar a acreditar. Faz-me fiel a ti em todo tempo quero ser cheio(a) do teu Espírito. Faz de mim contradição neste tempo, quero ser fiel, se for preciso até a morte.

Que este Natal seja o Recomeço em sua vida!

Feliz Natal!

domingo, 25 de dezembro de 2011

Vinde e Adoremos ao Rei SALVADOR!


As grandes verdades do Natal

O dia do Natal de Jesus relembra para todos os cristãos verdades fundamentais da fé. Uma delas é que à natureza divina da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, se uniu, no dia da Anunciação, a natureza humana recebida da Virgem Maria pelo poder do Espírito Santo. Os teólogos empregam então, com propriedade, o termo  união hipostática. Santo Agostinho explica este dogma de fé ao dizer que o Verbo de Deus recebeu  o que não era, não perdendo o que era.  Cristo, de fato, como ensina São Leão Magno, “desceu de tal modo, sem diminuição de sua majestade ao tomar a condição de nossa humildade, que, uniu a verdadeira condição  de servo àquela condição em que é igual ao Pai e ligou ambas as naturezas com o vínculo de tão íntima aliança que nem a inferior com tão grande glorificação ficou absorvida, nem a superior diminuída com a assunção que realizou”. Note-se que o vocábulo assunção é tão  técnico como a expressão hipostática. Trata-se de uma união cuja iniciativa cabe à Segunda Pessoa divina e que resulta na elevação da natureza assumida, uma vez que o resultado final é algo humano-divino que se dá.

Por isto andou em clamoroso erro  Eûtiques, heresiarca grego,  que, no século quinto, ensinava que a natureza humana de Cristo se dissolvera na natureza divina, o que, evidentemente, jogava por terra todo efeito da Encarnação de Jesus que veio para resgatar a humanidade pecadora. O Concílio de Calcedônia em 451 condenou esta heresia.

O Redentor pagaria o que a nossa condição terrena tinha em dívida para com Deus. É, deste modo, que Jesus se tornou o único Mediador como convinha ao remédio necessário à raça humana, ou seja, que Ele pudesse morrer em virtude de uma das naturezas e ressuscitasse em virtude da outra. Enquanto Deus, foi o médico celestial; enquanto homem, pôde resgatar a estirpe à qual passou também a pertencer. Daí resulta imensa gratidão ao Todo-Poderoso que, pela muita misericórdia  que nos devotou, tendo compaixão de nós, estando nós mortos por causa do pecados, nos fez reviver em Jesus para sermos nele  uma nova criação de suas poderosas mãos. 

Corresponder à gratuidade de Deus, renascendo para uma vida nova, eis aí a obrigação de todos que têm fé. Cumpre revestir o homem novo de que fala o Apóstolo Paulo, deixando para trás tudo que não está de acordo com o que Jesus ensinou. É o conselho de Leão Magno num de seus mais belos sermões do Natal: “Reconhece, ó cristão, a tua dignidade, e, já que foste feito participante da natureza divina, não queiras voltar à antiga vileza com procedimentos indignos de tamanha nobreza”. Jesus nasceu, de fato, para nos transladar  para a luz do reino eterno do Ser Supremo, do qual é preciso começar a participar já nesta terra.

Diante do Presépio é necessário que o batizado se lembre que, ao ser regenerado na pia batismal, se tornou o templo vivo da Trindade Santa e que, portanto, não pode cometer ações  por cuja perversidade  expulse de si tão grande Senhor para se submeter à escravidão ignóbil do Diabo. Importância tal tem cada um daqueles que Jesus veio remir que o preço desta redenção, a qual se iniciou em Belém, é o próprio sangue divino. Que, então, perante a manjedoura se renuncie às obras da carne de que fala São Paulo na Carta aos Gálatas (5,19). Apenas assim as alegrias do Natal serão consistentes e não uma mera comemoração externa de um fato histórico.

O referido São Leão Magno frisa no seu texto a palavra HOJE: “Nasceu hoje o nosso Salvador”. A mesma eficácia salutar que, um dia, tal acontecimento trouxe em Belém, se dá para aqueles que se imergem nesta festa singular através da participação na liturgia. Este é o grande sinal  de que os atos salvíficos de Cristo  se realizam novamente, conferindo à alma fiel as graças vinculadas a tal evento. Hoje nasce Jesus para as almas dispostas com fé viva e ortodoxa a recebê-lo com júbilo no seu coração!

Autor do texto: Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho

Nasceu o Salvador, Feliz Natal!

Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel.” (Isa7,14)
É Natal!!!!
O Menino Jesus se aproxima, o Redentor vem para nos Salvar!
Alegres e na certeza da vinda do Filho de Deus que a Canção Nova te deseja um Santo e Feliz Natal, cheio da benção de Deus.
FELIZ NATAL!

Mensagem de Natal da Canção Nova
Publicado em 24/12/2011

Nasceu Jesus


Tudo começou com Maria e JoséNum lugar longe daqui

Chamando Nazaré

E Deus mandou para Maria

Um aviso pelo anjo Gabriel

Que ela então daria à luz 

A um ser de la do céu

Tiveram que fugir de Herodes

O rei da Judeia

Maria Então foi conceber

Seu filho em Belém

No céu apareceram anjos 

E uma estrala de intensa luz

Porque nasceu Jesus ( Bis)

Gloria a Deus lá nas alturas

Paz na Terra

Aos homens de boa vontade

Glória a Deus lá nas alturas

Se cumpriram as escrituras

Porque nasceu Jesus!


sábado, 24 de dezembro de 2011

Onde está a Fila para ver Jesus?


O verdadeiro Espírito de Natal


“Ao mundo falta verdade e amor, porque expulsou de si o Espírito Santo, que é amor e verdade”.

Beta Elena Guerra
Apóstola do Espírito Santo



O verdadeiro espírito do iluminado Natal é o Divino Espírito Santo. O Santo Natal é compreendido para aqueles que vivem no Espírito Santo.


• “João ficará pleno do Espírito Santo” (Lc 1,13-15).
• “Maria, o Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo vai te cobrir com a sua sombra” (Lc 1,35).
• “Isabel ficou repleta do Espírito Santo” (Lc 1,42).
• “Zacarias repleto do Espírito Santo” (Lc 1,67).
• “Simeão movido pelo Espírito Santo” (Lc 2,25-27).
• “Ana, a profetiza, cheia do Espírito de Deus” (Lc 2, 36-38).
• “E o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma corporal, como uma pomba” (Lc 3,22).
• Os Apóstolos, diáconos e toda igreja eram cheios do Espírito Santo (At 1,14; 2,4;4,31; 6,1-3).

A dimensão para sentir a glória da Festa do Santo Natal é para quem recebeu no coração o derramamento do amor de Deus pelo Espírito Santo (Rm 5,5).
Só podem viver o autêntico espírito natalino aqueles que obedecem ao Espírito Santo (At 5,32).
A caridade sincera, o bem ao nosso semelhante e a dignidade pela pessoa humana são frutos e atitudes da espiritualidade pacletológica.
Uma vida abissal no Espírito Santo sempre será o espírito verdadeiro do belo e Santo Natal!
O Espírito Santo do Natal é “um espírito de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de conhecimento e de temor do Senhor” (Is 11,2). É principalmente um espírito de justiça. Se nós temos o verdadeiro espírito do Natal, deveremos partilhá-lo com pobres e aflitos, e seremos julgados com justiça (Is 11,4). Se tivermos o espírito do Natal verdadeiro, estamos levando as pessoas a Cristo, que, então, dará a essas pessoas o Seu coração para os pobres e sofredores.
Como dissemos, o verdadeiro espírito do Natal é o Espírito Santo, que nos leva a depender totalmente de Jesus Cristo e a fazer justiça aos pobres e oprimidos. O verdadeiro espírito do Natal é o de Jesus, Maria e José, na manjedoura de Belém e em nossos corações.
Viver o espírito do Natal é viver uma vida de avivamento nas chamas ardentes do Espírito Santo. É colocar a vida para virtudes dos Dons e frutos do Espírito Santo. É ser cheio do Espírito Santo para proclamar Jesus Cristo como Senhor e o único Salvador da humanidade.
Dentro desse contexto o cristão é dominado pela graça, pelo amor, pela verdade, pela comunhão e pelo serviço da obra de Deus e pelo próximo.
Natal é a festa do maior e mais belo aniversário que existe na face da terra, cujo aniversariante é o Salvador do mundo. Seu nascimento mudou a história da humanidade e continua mudando a vida de muita gente no mundo inteiro.
Jesus Cristo é o presente de Deus que continua presente entre nós. Natal é a verdade que nos liberta de tudo que é falso e efémero.


O verdadeiro espírito do Santo Natal é com a Sagrada Família e a centralidade trinitária.


“A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vocês” (2 Cor 12,13).




“FELIZ NATAL E UM ANO NOVO REPLETO DO ESPÍRITO SANTO”.
Pe. Inácio José do Vale
Professor de História da Igreja
Pregador de Retiros Espirituais
Especialistas em Ciência Social da Religião
E-mail: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com
Do  Blog Católicos na Rede

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Natal: Porque 25 de dezembro ?


Dom Murilo S.R. Krieger, scj

Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil

Se procurarmos no Evangelho indicação sobre o dia do nascimento de Jesus, nada encontraremos. Na visão dos apóstolos e evangelistas, não se tratava de um fato digno de registro; no centro de sua pregação estava a ressurreição do Senhor. A preocupação que tinham, ao falar dele a quem não o conhecia, era clara: apresentar uma pessoa viva, não alguém do passado. É o que notamos, por exemplo, nos dez discursos querigmáticos (querigma: primeiro anúncio; apresentação das verdades centrais do cristianismo) que encontramos nos Atos dos Apóstolos. A idéia fundamental desses discursos é a mesma: “A este Jesus, Deus o ressuscitou; disso todos nós somos testemunhas” (At 2,32).Voltemos ao Natal. No tempo do Papa Júlio I, que dirigiu a Igreja do ano 337 a 352, é que foi introduzida essa solenidade no calendário da Igreja. Até então celebrava-se apenas a festa da Epifania – isto é, a manifestação do Senhor aos povos pagãos, representados pelos magos do Oriente. Ficava assim claro que Jesus era o Salvador de todos os povos, e não apenas de um só povo. Por que, então, 25 de dezembro como data do Natal?



O Império Romano havia decidido que todos os povos deveriam comemorar a festa do “sol invicto”, o renascimento do sol invencível. Era invencível uma vez que caía (morria) de noite e renascia a cada manhã, eternamente. Esse renascimento diário era celebrado no dia 25 de dezembro. O sol era também símbolo da verdade e da justiça, igualmente consideradas invencíveis uma vez que, por mais que muitos tentassem destruí-las, sempre renasciam vitoriosas. O sol, considerado um deus, era uma luz poderosa, que iluminava o mundo inteiro. Igualmente a verdade e a justiça eram luzes poderosas para todos os povos.

Em vez de simplesmente combater essa festa pagã, os cristãos passaram a apresentar Jesus Cristo, nascido em Belém, como o verdadeiro sol, já que nos veio trazer a verdade e a justiça. Também ele passou pela morte, mas dela ressurgiu, mostrando que era invencível. Seu nascimento – isto é, seu natal –, já que não se sabia em que dia havia ocorrido, passou a ser celebrado no dia do sol invicto.

A tradição – louvável tradição! – dos presépios é posterior: na noite de Natal de 1223, em Greccio – Itália, S. Francisco de Assis fez o primeiro presépio. Ele maravilha-se que Jesus, o Filho de Deus, havia-se encarnado para que pudéssemos conhecer o rosto de Deus. Com Jesus, passamos a ter em nosso meio um Deus que “trabalhou com mãos humanas, pensou com inteligência humana, agiu com vontade humana, amou com coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado” (GS, 22). Como não representar, então, seu nascimento, ocorrido numa gruta de Belém? Ao longo dos tempos e dos lugares, cada povo foi deixando suas próprias marcas nos presépios. Os presépios que vemos pela cidade de Salvador (que seja, um dia, a cidade “do” Salvador!), em parte fruto da iniciativa do projeto: “Salvador, cidade natal do Brasil”, é uma prova disso. Por sinal, não deixa de ser significativo que tal iniciativa tenha tido tanta acolhida na cidade que se identifica com o nome de Jesus. Afinal, o anúncio dos anjos em Belém, foi claro: “Eu vos anuncio uma grande alegria…: nasceu para vós o Salvador!” (Lc 2,10).

O nascimento de Jesus é o fato central da história da humanidade; tanto assim que contamos os anos a partir desse acontecimento. Na proximidade do Natal, caminhemos ao encontro do Menino que nos é dado, para contemplá-lo e lhe dizer: “Vimos te adorar, Menino Jesus. Estamos maravilhados diante da grandeza e da simplicidade do teu amor! Tu agora estás conosco para sempre! Tu, pobre, frágil, pequeno… para nós, para mim! Em ti resplende a divindade e a paz. Tu nos ofereces a vida da graça. Teu sorriso volta-se para os pequenos, pobres e simples. Por isso, depositamos a teus pés nossas orações, nossa vida e tudo o que somos e temos. Olha com especial carinho, contudo, para todos aqueles que não te conhecem e, por não te conhecerem, não te amam. Amém!”

FONTE: Arquidiocese de São Salvador da Bahia/BA

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

A premonição profética do Menino Jesus numa piedosa lenda de Natal


Uma piedosa lenda de Natal conta que o Menino Jesus sentado num troneto brincou tecendo uma coroa de espinhos.


E um espinho machucou seu dedo indicador da mão direita.



Nesse momento, com ciência profética, Ele previu os sofrimentos que haveria de aceitar para redimir o genro humano.



Em sua doçura de criança e na candura de sua inocência infinita Ele pressentiu as dores lancinantes de sua Paixão e Morte na Cruz.

Contemplou também a glória de sua Ressurreição. Anteviu a Redenção da humanidade, o triunfo universal da Igreja e da Cristandade.



Na iconografia tradicional, o Menino Jesus do Espinho aparece sentado numa poltrona com braços de madeira, estofada em veludo vermelho, meditando sobre os futuros tormentos da Paixão. 



Numa outra tela do célebre pintor espanhol Francisco de Zurbarán(1598-1664)  o Menino Deus contempla o dedo sangrando.



O rosto mais sereno parece velado pelo presságio do sofrimento vindouro trazido pela ferida. 



Assim também e representado na tela da escola de Murillo.


É uma clara premonição da Paixão de Cristo, através de uma descrição suave e melancólica.


O contraste entre a inocência e a doçura da criança com o horror da tortura toca os mais nobres sentimentos dos fiéis. 



E inspira uma meditação apropriada para o Advento, período litúrgico iniciado no último domingo de novembro, tempo penitencial que nos prepara para bem receber no Natal ao Menino Jesus.



A piedosa lenda tem, aliás, diversas narrações em volta do tema central. No vídeo, oferecemos uma delas adaptada para a imagem.




domingo, 18 de dezembro de 2011

Explicação do Ângelus


Anunciação, Cordoba, Espanha


A oração do Ângelus é uma meditação a respeito do Natal, feita através de três pontos essenciais, com muita brevidade. Ela é eminentemente lógica e bem construída.

Porém, em todas as coisas da Igreja, por cima de uma estrutura lógica e coerente, resplandece um universo de imponderáveis de unção e sacralidade que é uma verdadeira beleza, e que formam um todo com essa estrutura lógica e racional.

Vejamos como é a História do Natal no Ângelus:

1º ponto: O Anjo do senhor anunciou a Maria, e Ela concebeu do Espírito Santo;

2º ponto: Eis aqui a Escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a Sua vontade;

3º ponto: O Verbo Divino se encarnou e habitou entre nós.

Anunciação, Ambrogio Lorenzetti.
São três aspectos do Natal. O primeiro glorifica a mensagem angélica. O segundo, a atitude de Nossa Senhora de inteira obediência a essa mensagem.


O terceiro glorifica o fato do Verbo não só se ter encarnado, mas ter habitado entre nós.

Nesses três pontos está condensada toda a História do Natal de uma forma tão sintética, breve, lógica e densa, que não se devia acrescentar nada.

Cada ponto é seguido da recitação de uma Ave-Maria, que é uma glorificação de Nossa Senhora, por esse aspecto daquela verdade que o anjo anunciava.

Esse é o maior fato da História da humanidade, e a maior honra para o gênero humano é o Verbo se ter encarnado e habitado entre nós.

Por isso, se tornou hábito na piedade católica, pela aurora, ao meio-dia e depois, pelo crepúsculo, recitar o Ângelus.

Nas três etapas principais do dia, repetir essas verdades e louvar Nossa Senhora a respeito dessas verdades, e pedindo-lhe graças a propósito dessas verdades.

Como fica bonito o Ângelus rezado pela manhã, no meio-dia e no fim do trabalho às 6 horas da tarde!

Tem-se a impressão de um vitral que vai mudando de colorido, o Angelus também vai mudando de matizes: como é diferente entre o Ângelus rezado ao meio-dia, quando o ritmo de trabalho é intenso, e o Ângelus rezado no crepúsculo, quando tudo se reveste de uma suavidade, de uma espécie de começo de recolhimento.

Anjo da Anunciação, Gérard David
A Igreja criou essa jóia, que é o Angelus, e a promove nas várias horas do dia, para tirar dela toda a beleza.


As coisas católicas são todas construídas na Fé com uma espécie de instinto do Espírito Santo para se fazer bem feitas. Nelas se encontra um mundo de harmonias.

No Ângelus há a harmonia admirável entre a maior clemência, simplicidade, profundeza de conceitos, e uma beleza indefinível que tem enfeites poéticos, literários, que não entra em choque com a Fé, mas, pelo contrário, são um complemento dela.

Imaginem que o Ângelus tivesse sido encomendado por um ministro ou presidente da República: decreto nº X mil e tanto: componha-se uma oração para ser recitada de manhã, ao meio-dia e à tarde de todos os dias, todos os anos, todos os séculos. Viria uma oraçãozinha relâmpago, com uma bobagem qualquer, vazia, seca. Poderia aparecer tudo, mas não apareceria o Ângelus.

Exatamente falta ao homem de hoje essa plenitude de espírito por onde as coisas se ordenam na linha da lógica, da coerência, da beleza com tanta naturalidade que a gente nem percebe o que está por detrás disso de bem pensado, de bem sentido, de bem realizado, de bem rezado e, sobretudo, de bem acreditado.

Blackfriars, Grã-Bretanha, canto de Vésperas
Procuremos, então, o espírito da Igreja Católica em todas as coisas da vida. Dos bons tempos da Igreja, da tradição da Igreja.


E sujeitando tais coisas a uma análise racional, saem sóis de dentro, saem belezas umas depois das outras, que é, exatamente, a riqueza inexaurível do espírito católico.

Então, qualquer coisa simples se mostra uma verdadeira maravilha.

O Ângelus rezado pelo camponês, pelo padre, pelo cruzado, pelo guerreiro da Reconquista da Espanha, pelo trapista: cada um dá um dos mil coloridos de um vitral. É tão simples, tão fácil, tão normal que, por isso mesmo, é uma verdadeira jóia.

Isso nos deve levar a ser cada vez mais devotos do Ângelus, não o omitindo em nenhuma ocasião, lembrá-lo em nossa oração matinal, lembrando de tudo quanto existe no Ângelus.
Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 1º/3/1965, texto sem revisão do autor.

OURO, INCENSO O MIRRA!

Pe. Zezinho

Sentimento Mais forte "AMOR"


Homilia do D. Henrique Soares da Costa – IV Domingo do Advento (Ano B)


Eis! Estamos no último dos quatro Domingos do santo Advento! Estamos já em plena Semana Santa do Natal, iniciada no dia 17 de dezembro. A Igreja, a gora, é toda atenção, toda contemplação do mistério da Encarnação, preparando-separa celebrar o Natal do Senhor. Sua vinda é a nossa salvação, sua chegada é o anúncio da esperança a todos os povos, a toda a humanidade, a anual celebração do seu Natal recorda-nos que nosso Deus não é de longe, mas de perto, de pertinho da humanidade toda e de cada um de nós. O Filho eterno de Pai fez-se homem para encher de Vida divina a nossa existência humana. É esta o Mistério de que fala São Paulo na segunda leitura da Missa de hoje: 
“Mistério mantido em sigilo desde sempre. Agora, este Mistério dói manifestado e… conforme determinação do Deus eterno, foi levado ao conhecimento de todas as nações, para trazê-las à obediência da fé!” Antes, parecia que Deus era Deus somente de Israel, esquecendo os outros povos, a grande massa da humanidade. Agora, não! Com a aproximação do Santo Natal, contemplamos a benevolência de Deus para toda a humanidade: no segredo do seu coração havia um amoroso e misterioso projeto: salvar toda a humanidade pelo fruto que haveria de vir da raça de Israel, da tribo de Judá, da Casa de Davi.

O que nos deve encantar neste Domingo, caríssimos, não é somente a grandiosidade desse Mistério, dessa surpresa de um Deus que, desde sempre, preocupou-se com todos, com toda a humanidade e não só com Israel… o que nos deve encantar é também o modo como o Senhor realiza o seu desígnio: ele age nos escondido da história humana, no pequenininho de nossas vidas, nas humildes decisões de nossa existência. Pensemos bem! Primeiro, o rei Davi, humilde pastor de Belém, mais novo dos muitos filhos do velho Jessé. E Deus o escolheu: para rei e para dele fazer uma dinastia da qual nasceria o Santo Messias. Davi, que desejava humildemente construir uma Casa, um Templo para o Senhor, fica sabendo que é Deus quem lhe construirá uma Casa, isto é, uma Dinastia, uma descendência, da qual nascerá Aquele bendito Descendente que enche de alegria o nosso coração: “O Senhor te anuncia que te fará uma casa. Quando chegar o fim dos teus dias e repousares com teus pais, então, suscitarei, depois de ti, um filho teu, e confirmarei a sua realiza. Eu serei para ele um pai e ele será para mim um filho. Tua casa e teu reino serão estáveis para sempre diante de mim, e teu trono será firme para sempre!” Eis a bondade do Senhor, que de um simples pastorzinho fará nascer o Salvador que reina para sempre. Depois, podemos pensar em José, naquele que tinha recebido como prometida em casamento uma virgem mocinha chamada Maria… José, homem simples, moço de Deus. Membro pobre da família real de Davi, simples artesão. Moço de Deus, que vivia na justiça do Senhor, praticando a Lei do Deus de Israel. E o Senhor, misteriosamente o escolhe para ser o esposo daquela na qual se cumprirão as palavras do Senhor. Recordemo-nos do Evangelho segundo São Mateus: “José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e tu o chamarás com o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo de seus pecados” (Mt 1,20-21). Pobre José! Bendito José! Jamais esperaria tal coisa, tal gesto imprevisto do Santo de Israel! Ele, um simples carpinteiro, cuidador, tutor, guardador, de um filho que não seria seu filho! Ele escutaria, doravante, o Filho eterno do eterno Pai, chamá-lo de pai!
Finalmente, pensemos em Maria. Aqui a surpresa de Deus chega ao máximo. Uma jovenzinha pobre, uma virgem sem nome importante, perdida nas montanhas do norte da Terra Santa, em Nazaré da Galiléia. E o Senhor Deus lhe dirige a palavra, faz-lhe a mais estonteante proposta que um pobre filho de Eva jamais escutara: ser, virginalmente, a mãe do Messias, a Mãe do Filho de Deus, a Terra bendita e santa na qual brotaria a Raiz de Jessé, o Rebento prometido; ser a doce a Aurora do Dia sem fim, ser a Estrela d’Alva que prenuncia o Sol eterno! “Alegra-te, Cheia de Graça! O Senhor é contigo, Virgerm Maria! Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus!” São Bernardo de Claraval, no século XII, imaginando este encontro inaudito, entre a Virgem e o Anjo, diz a Nossa Senhora: “Ouviste, ó Virgem, que vais conceber e dar à luz um filho, não por obra de homem, mas do Espírito Santo. O Anjo espera tua resposta. Também nós, Senhora, miseravelmente esmagados por uma sentença de condenação, esperamos tua palavra de misericórdia. Eis que te é oferecido o preço de nossa salvação; se consentes, seremos livres; com uma breve resposta tua seremos chamados à vida! Ó Virgem cheia de bondade, o pobre Adão, expulso do paraíso com a sua mísera descendência, implora a tua resposta; Abraão a implora, Davi a implora. Os outros patriarcas, teus antepassados, que também habitam a região da sombra da morte, suplicam esta resposta. O mundo inteiro a espera, prostrado a teus pés. E não é sem razão, pois de tua palavra depende o alívio dos infelizes, a redenção dos cativos, a liberdade dos condenados, enfim, a salvação de todos os filhos de Adão, de toda a tua raça. Apressa-te, ó virgem, em dar a tua resposta! Por que demoras? Por que hesitas? Crê, consente, recebe! Abre, Virgem santa, teu coração à fé, teus lábios ao consentimento, teu seio ao Criador. Levanta-te pela fé, corre pela entrega a Deus, abre pelo consentimento. ‘Eis aqui a serva do Senhor, diz a Virgem; faça-se e mim segundo a tua palavra’!”
Eis, caríssimos, irmãos! Tão grande plano de Deus, tão grande salvação, deu-se na simplicidade de vidas humanas que foram dizendo sim ao Senhor, que foram se abrindo para ele nas pequenas e escondidas ocasiões da vida: Maria, a Virgem, José, o pobre descendente de Davi, Davi, o pastor que se tornou rei… E agora – ainda agora – o Senhor vem e nos convida a nós – a mim e a você – a que abramos nossa vida, nosso pequeno cotidiano, para a sua presença. Através de cada um de nós ele deseja continuar a obra de sua salvação, a marca da sua presença neste mundo enfermo e cansado.
Virgem Maria, Mãe de Deus, São José, esposo da virgem, São Davi, rei e profeta, intercedei por nós, para que sejamos dóceis e úteis instrumentos da salvação que Deus hoje quer revelar e atuar no coração dos homens e do mundo. Que através de nossa pobre vida, vivida com disponibilidade, o Senhor Jesus seja visto no nosso mundo tão confuso, tão disperso, tão superficial e ameaçado por tantas trevas. Amém.
D. Henrique Soares

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Novena de Natal


Início dia 16 de dezembro    
A novena, guiada pelo exemplo de Santo Afonso, vai buscar os fundamentos bíblicos que certamente nortearam sua vida e constituem os grandes marcos de nossa caminhada cristã.
1º Dia – 16 de dezembro
  • Deus nos deu seu Filho Unigênito por Salvador
Eu te constitui em luz para os gentios, para que minha salvação chegue até os confins da terra. (Is.
49, 6)
Consideremos como o Pai eterno disse ao Menino Jesus no instante de sua concepção estas palavras: Filho, eu te dei ao mundo como luz e vida das gentes, para que busques sua salvação, que estimo tanto como se fosse a minha. É necessário, pois, que te empenhes completamente em benefício dos homens. “Dado completamente aos homens, e inteiramente entregue as suas necessidades”. É necessário que ao nascer padeças extrema pobreza, para que o homem se enriqueça; é necessário que sejas vendido como escravo, para que o homem seja livre; é necessário que, como escravo, sejas açoitado e crucificado, para pagar à minha justiça a pena devida pelos homens; é necessário que sacrifiques sangue e vida, para livrar o homem da morte eterna. Fica sabendo, enfim, que já não és teu, mas do homem. Pois um filho lhes nasceu, e um menino lhes foi dado. Assim amado Filho meu, o homem voltará a amar-me a ser meu, vendo que te dou inteiramente a ele, meu Filho Unigênito, e que já não me resta mais o que lhe possa dar.
Assim amou Deus – oh, amor infinito, digno somente de um Deus infinito – assim amou Deus o mundo de tal forma, que lhe entregou seu Filho Unigênito. O Menino Jesus não se entristeceu com esta proposta, mas, ao contrário, comprazeu-se nela e a aceitou com amor e alegria:
“como um esposo procedente de seu tálamo, exultou como gigante a percorrer seu caminho” (Ps. 18,6). E desde o primeiro momento de sua encarnação se entregou por completo ao homem e abraçou com gosto todas as dores e ignomínias que havia de sofrer na terra por amor dos homens. Esses foram, segundo São Bernardo, as colinas e vales que com tanta pressa devia atravessar Jesus Cristo, segundo o Cântico dos Cânticos, para salvar os homens. Ei-Lo que vem saltando pelas montanhas, brincando pelas colinas.
Reflitamos aqui como o Pai, enviando-nos seu Filho para ser nosso Redentor e para selar a paz entre Ele e os homens, obrigou-se de certo modo a perdoar-nos e a amar-nos, em razão do pacto que fez de receber-nos em sua graça, posto que o Filho satisfaz por nós a justiça divina. Por sua vez, o Verbo divino, tendo aceitado a missão que lhe foi dada pelo Pai, o qual, enviando-o para redimir-nos no-lo deu, obrigou-se também a amar-nos, não por nossos méritos, mas para cumprir a piedosa vontade de seu Pai.
Reza-se o Terço e a Ladainha de Nossa Senhora 
Oração: Amado Jesus, se é verdade, como diz a lei, que o domínio se adquire com a doação, Vós sois nosso, por vos ter vosso Pai entregue a nós. Por isso podemos com razão exclamar: Deus meu e meu tudo. E já que sois nosso, nossas são vossas coisas, como nos afirma o Apóstolo: “Como não nos dará, juntamente com seu Filho todas as coisas?” Nosso é vosso sangue, nossos vossos méritos, nossa a vossa graça, nosso vosso paraíso. E, se sois nosso, quem jamais poderá separarnos de Vós? Ninguém poderá tirar-me Deus, exclamava jubiloso Santo Antônio Abade. Assim queremos exclamar daqui em diante. Apenas por nossas culpas podemos perder-vos e separar-nos de Vós, mas, Jesus, se no passado vos deixamos e perdemos, agora nos arrependemos com toda a alma e nos resolvemos a perder tudo, mesmo a vida, antes que vos perder, bem infinito e único amor de nossas almas.
Damo-vos graças, Padre eterno, por nos terdes dado vosso Filho, e em troca de o terdes dado por completo a nós, entregamo-nos inteiramente a Vós. Por amor desse mesmo Filho, aceitai-nos e apertai-nos com laços de amor a nosso Redentor, de modo que possamos exclamar: “Quem nos apartará do amor de Cristo?”. Salvador nosso, já que sois todo nosso, tomai-nos todos para Vós; disponde de nós e de nossas coisas como vos agrade. Como poderemos negar alguma coisa ao Deus que não nos negou nada, nem seu sangue nem sua vida ? Maria, nossa Mãe, guardai-nos com vossa proteção. Não queremos pertencer-nos mais, mas inteiramente a Nosso Senhor. Lembrai-vos de fazer-nos fiéis. Em vós confiamos.

2º Dia – 17 de dezembro

  • Aflição do coração de Jesus no seio de Maria
Hóstias e oblações não quisestes, mas formastes-me um corpo. (Hebr. 10,5)
Considera a grande amargura com que devia sentir-se afligido e oprimido o coração do Menino Jesus no seio de Maria, naquele primeiro instante em que o Pai lhe propôs a série de desprezos, trabalhos e agonias que havia de sofrer em sua vida para libertar os homens de suas misérias: “Pela manhã chama a meus ouvidos…, não retrocedi…, entreguei meu corpo aos que me feriam” (Is. 50, 4-6).
Assim falou Jesus pela boca do Profeta: “Pela manhã, quer dizer, desde o primeiro instante de minha concepção, meu Pai me fez compreender sua vontade: que eu tivesse uma vida de sofrimento e fosse, finalmente, sacrificado na cruz; não retrocedi; entreguei meu corpo aos que me feriam”. E tudo aceitei pela salvação das almas e, desde então, entreguei meu corpo aos açoites, aos cravos, e à morte. Pondera então quanto padeceu Jesus Cristo em sua vida e em sua paixão; tudo lhe foi posto ante os olhos desde o seio de sua Mãe e tudo Ele abraçou com amor; mas, ao consentir nessa aceitação e vencer a natural repugnância dos sentidos, quanta angústia e opressão não teve que sofrer o inocente Coração de Jesus! Conhecia bem o que primeiramente tinha que padecer; os sofrimentos e opróbrios do nascimento numa fria gruta, estábulo de animais; os trinta anos de trabalho como artesão; o considerar que seria tratado pelos homens como ignorante, escravo, sedutor e réu da morte mais infame e dolorosa que se reservava aos criminosos.
Tudo aceitou nosso amável Redentor a cada momento, e a cada momento em que o aceitava, padecia reunidas todas as penas a abatimentos que depois padeceria até sua morte. O próprio conhecimento de sua dignidade divina contribuía para que sentisse mais as injúrias recebidas dos homens: “Tenho sempre presente a minha ignomínia”. Continuamente teve diante dos olhos sua vergonha, especialmente a confusão que sentiria ao ver-se um dia despido, açoitado, pregado com três cravos de ferro, entregando assim sua vida entre vitupérios e maldições daqueles que se beneficiavam com sua morte. “Feito obediente até a morte e morte de cruz” (Phil. 2,8) e para quê? Para salvar-nos, a nós, míseros e ingratos pecadores.
Reza-se o Terço e a Ladainha de Nossa Senhora
Oração: Amado Redentor nosso, quanto vos custou desde que entrastes no mundo, tirar-nos do abismo em que nosso pecados nos haviam submergido. Para livrar-nos da escravidão do demônio, ao qual nós mesmos nos vendemos voluntariamente, aceitastes ser tratado como o pior dos escravos; e, nós que o sabíamos, tantas vezes tivemos a ousadia de amargurar vosso amabilíssimo Coração, que tanto nos amou. Mas já que Vós, nosso Deus, sendo inocente, aceitastes vida e morte tão penosas, aceitamos por vosso amor, Jesus, todas as dores que nos venham de vossas mãos.
Aceitamo-las e abraçamo-las porque procedem daquelas mãos transpassadas um dia para livrar-nos do inferno, que tantas vezes merecemos. Vosso amor, nosso Redentor, ao oferecer-vos para sofrer tanto por nós, obriga-nos a aceitar por Vós qualquer pena e desprezo. Dai-nos a aceitar por Vós qualquer pena e desprezo. Dai-nos, Senhor, por vossos méritos, vosso santo amor, que nos torna doces todas as dores e todas as ignomínias.
Amamo-vos acima de todas as coisas, amamo-vos com todo o coração, amamo-vos mais que a nós mesmos. Vós, em vossa vida, nos destes tantas e tão grandes provas de afeto e nós, ingratos, que prova de amor vos damos? Fazei, pois, ó nosso Deus, que durante os anos que nos restam de vida vos demos alguma prova de amor. Não nos atreveríamos, no dia do juízo, a comparecer diante de Vós tão pobres como somos agora e sem fazer nada por vosso amor; mas que podemos fazer sem vossa graça? Apenas rogar-vos que nos socorrais, e ainda essa nossa súplica é graça vossa. Oh, Jesus, socorrei-nos pelo mérito de vossas dores e do sangue que derramastes por mim.
Maria Santíssima, recomendai-nos a Vosso Filho, já que por nosso amor o tivestes em vosso seio. Lembrai-vos que somos daquelas almas por quem morreu vosso Filho.

3º Dia – 18 de dezembro

  • Jesus faz-se Menino para conquistar nossa confiança e nosso amor
Um menino nos nasceu, um filho nos foi dado. (Is. 9,6)
Consideremos como depois de tantos séculos, depois de tantas orações e pedidos, veio, nasceu e se deu todo a nós o Messias, que não foram dignos de ver os santos patriarcas e profetas; o desejado pelos gentios, o desejado pelas colinas eternas, nosso Salvador: “Um menino nos nasceu, um filho nos foi dado”.
O Filho de Deus se fez pequeno para fazer-nos grandes: deu-se a nós para que nos déssemos a Ele; veio mostrar-nos seu amor, para que lhe déssemos o nosso. Recebamo-lo, pois com afeto, amemo-lo e recorramos a Ele em todas as nossas necessidades.
As crianças, diz São Bernardo, facilmente concedem o que se lhes pede. Jesus veio como criança, para mostrar-nos que está disposto a dar-nos todos os seus bens. “No qual se acham todos os tesouros” (Col. 2,3)“O Pai…entregou tudo em suas mãos” (Jo. 3,35). Se queremos luz, Ele veio para nos iluminar; se queremos força para resistir aos inimigos, Ele veio para nos fortalecer; se queremos o perdão e a salvação, Ele veio precisamente para nos perdoar e nos salvar; se queremos, em uma palavra, o supremo dom do amor divino, Ele veio para nos abrasar; e, para isto, sobretudo, se fez menino e quis apresentar-se a nós pobre e humilde, para parecer mais amável, para tirar-nos todo o temor e conquistar nosso afeto: “Assim devia vir quem quis desterrar o temor e buscar a caridade”, diz São Pedro Crisólogo.
Além disso, Jesus Cristo quis vir criança, para que o amássemos não só com amor apreciativo, mas com amor terno. Todas as crianças sabem conquistar para si afetuoso carinho daqueles que a rodeiam e, quem não amará com ternura seu Deus, vendo-o criancinha, com frio, pobre, humilhado e abandonado, que chora sobre as palhas de um presépio?
Vinde amar Deus feito menino e feito pobre, e que é tão amável que desceu do céu
para entregar-se por completo a nós.
Reza-se o Terço e a Ladainha de Nossa Senhora
Oração: Ó amável Jesus, tão desprezado por nós! Descestes do céu para resgatar-nos do inferno e dar-vos por completo a nós, como pudemos tantas vezes, voltar-vos as costas, ó Deus! Os homens são tão gratos às criaturas que se alguém lhes dá um presente, se lhes envia um cumprimento, se lhes dá qualquer prova de afeto, não se esquecem e se sentem forçados a corresponder. E, pelo contrário, são tão ingratos convosco, que sois seu Deus, e tão amável que por seu amor não recusastes dar o sangue e a vida. Mas, ai de nós, nós fomos ainda piores que os outros, porque fomos mais amados e mais ingratos.
Ah! Se as graças que nos destes, as tivesses dado a um herege, a um idólatra, talvez se tivessem santificado, e nós vos ofendemos. Por favor, não vos lembreis, Senhor, das injúrias que vos fizemos. Dissestes que, quando um pecador se arrepende, esquecei-vos de todos os pecados cometidos: “Nenhum dos pecados que cometeu lhe será recordado” (Ez. 18, 22). Se no passado não nos amamos, no futuro não queremos senão vos amar. Já que vos destes completamente a nós, damo-vos em troca toda a nossa vontade; com ela vos amamos e que vos amamos queremos repetir para sempre.
Queremos viver repetindo-o e repetindo-o morrer, para começarmos desde o instante que entramos na eternidade a amar-vos com um amor contínuo que durará eternamente. Entretanto, Senhor, nosso único bem e único amor, propomo-nos a antepor vossa vontade a todos os nossos prazeres. Por nada queremos deixar de amar quem nos amou tanto; não queremos mais desgostar a quem devemos amor infinito. Secundai, Jesus, nosso desejo com vossa graça.
Rainha nossa, Maria, reconhecemos que todas as graças recebidas de Deus são devidas à vossa intercessão; continuai a interceder por nós, alcançai-nos a perseverança, vós que sois a Mãe de todas as graças.

4º Dia – 19 de dezembro

  • A paixão de Jesus Cristo durou toda sua vida
Minha dor está sempre diante de mim. (Ps. 37,18)
Consideremos como naquele primeiro instante em que foi criada e unida a alma de Jesus Cristo a seu corpo, no seio de Maria, o Padre Eterno mostrou a seu Filho sua vontade de que morresse pela redenção do mundo; e naquele mesmo instante lhe mostrou todas as penas que devia sofrer até a morte para redimir os homens. Mostrou-lhe então todos os trabalhos, desprezos e pobreza que devia padecer em sua vida, tanto em Belém como no Egito e em Nazaré, e depois todas as dores e ignomínias da paixão: açoites, espinhos, cravos e cruz; todos os tédios, tristezas, agonias e abandonos no meio dos quais havia de terminar sua vida no Calvário.
Abrão, conduzindo seu filho à morte, não quis afligi-lo dizendo-lhe antecipadamente que morreria, e isso no pouco tempo que era necessário para chegar ao monte. Mas o Eterno Pai quis que seu Filho encarnado, destinado como vítima de nossos pecados à sua justiça, padecesse imediatamente, pelo conhecimento delas, todas as penas a que depois teria que sujeitar-se durante sua vida e em sua morte. Daí, a tristeza padecida por Jesus no Horto, capaz de tirar-lhe a vida, como ele declarou: “Minha alma está triste até a morte” (Mt. 26,38), padeceu-a também constantemente desde o primeiro momento em que esteve no seio de sua Mãe. Assim, desde então sentiu vivamente
e sofreu o peso reunido de todas as dores e vitupérios que O esperavam.
A vida inteira e todos os anos de nosso Redentor foram cheios de penas e lágrimas: ”Na dor se consome minha vida, e em soluços meus anos” (Ps. 30,11). Seu divino Coração não teve um momento livre de sofrimentos; quer vigiasse ou dormisse, quer trabalhasse ou descansasse, rezasse ou falasse, sempre tinha diante dos olhos essa amarga representação, que atormentava mais sua santíssima Alma do que atormentaram aos santos mártires todas as suas penas. Eles padeceram, mas, ajudados pela graça divina, padeceram com alegria e fervor. Jesus Cristo sofreu, mas sofreu sempre com o coração cheio de tédio e tristeza, e tudo aceitou por nosso amor.
Reza-se o terço e a Ladainha de Nossa Senhora
Oração: Ó doce, ó amável, ó amante Coração de Jesus, assim desde menino fostes amargurado e agonizáveis no seio de Maria? Tudo isto sofrestes, Jesus, para satisfazer pela pena e agonia eterna que nos cabia padecer no inferno por nossos pecados. Vós pois, padecestes sem nenhum alívio para salvar-nos, depois de nós termos nos atrevido a abandonar a Deus e voltar-lhe as costas, para satisfazer nossos gostos miseráveis.

Sagrado Coração de Jesus
Graças vos damos, Coração amante e aflito de Nosso Senhor. Agradecemo-vos e nos compadecemos de Vós ao considerar que padecestes tanto pelos homens e que estes não se compadecem de Vós. Como são grandes o amor de Deus e a ingratidão dos homens. Ó Redentor nosso, como são poucos os homens que pensam em vossas dores e em vosso amor. Ó Deus, como são poucos os que vos amam. E desgraçados de nós que também vivemos tantos anos sem lembrarmo-nos de Vós! Vós padecestes tanto para que vos amássemos e não vos amamos. Perdoainos, Jesus, perdoai-nos que queremos nos emendar e queremos vos amar. Pobres de nós, Senhor, se resistirmos à Vossa graça e por nossa resistência nos condenarmos.
Quantas misericórdias usastes conosco e especialmente vossa voz que agora nos convida a amar-vos, seriam nossas maiores penas no inferno. Amado Jesus, tende piedade de nós, não permitais que vivamos mais ingratos a vosso amor; dai-nos luz e força para vencer tudo e para cumprir vossa vontade. Escutai-nos, rogamo-vos, pelos méritos de vossa Paixão.
De Vós esperamos tudo e de vossa intercessão, ó Maria. Querida Mãe, socorrei-nos, Vós que nos alcançastes todas as graças que recebemos de Deus; continuai a nos ajudar, pois se não o fazeis seremos infiéis, como o fomos no passado. Vós sois toda a nossa esperança e toda a razão de nossa confiança.

5º Dia – 20 de dezembro

  • Jesus Cristo se ofereceu desde o princípio por nossa salvação
Foi imolado, porque Ele mesmo quis.(Is. 53,7)
O Verbo divino, desde o primeiro instante em que se viu feito homem e criança no seio de Maria, se ofereceu por si mesmo às penas e à morte para resgate do mundo. Sabia que todos os sacrifícios dos cordeiros e dos touros oferecidos a Deus na Antigüidade não tinham podido satisfazer pelas culpas dos homens, mas que era necessário que uma pessoa divina satisfizesse por eles o preço de sua redenção.
Pelo que disse, como afirma o Apóstolo: “Não quiseste hóstia nem oblação, mas me formaste um corpo. Então eu disse; Eis-me aqui presente” (Heb. 10,5). Meu Pai, disse Jesus Cristo, todas as vítimas que vos foram oferecidas até agora não bastam nem bastarão para satisfazer vossa justiça; destes-me um corpo passível para que com a efusão de meu sangue vos aplaque e salve os homens: eis-me aqui presente, “ecce venio”, tudo aceito e tudo submeto a vossa vontade.
A parte inferior de sua vontade experimentava, naturalmente, repugnância e recusavase a viver e a morrer entre tantas dores e opróbrios, mas venceu a parte racional, que estava completamente subordinada à vontade do Pai, e aceitou tudo, começando Jesus a padecer desde aquele instante, todas as angústias e dores que sofreria nos anos de sua vida, assim agiu nosso divino Redentor desde os primeiros instantes de sua entrada no mundo.
E como nos portamos nós com Jesus Cristo, desde que, chegados ao uso da razão, começamos conhecer, com as luzes da fé, os sagrados mistérios da redenção? Que pensamentos, que desígnios, que bens temos amado? Prazeres, passatempos, soberbas, vinganças, sensualidade, eis os bens que aprisionaram os afetos de nosso coração. Mas, se temos fé, mudemos de vida e de amores; amemos a um Deus que tanto padeceu por nós. Lembremo-nos das penas que o Coração de Jesus padeceu por nós desde criança, e assim não poderemos amar senão esse Coração, que tanto nos amou.
Reza-se o Terço e a Ladainha de Nossa Senhora
Oração: Senhor nosso, quereis saber como nos portamos convosco em nossa vida? Desde que começamos a ter o uso da razão começamos a menosprezar vossa graça e vosso amor. Mas melhor que nós o sabeis vós e, apesar disso, nos suportastes porque nos amais muito. Fugíamos de Vós, e vós vos aproximastes chamando-nos. Aquele mesmo amor que vos fez baixar do céu para buscar as ovelhas perdidas, fez com que nos suportásseis. Jesus, agora nos buscais e nós vos buscamos.
Percebemos que vossa graça nos assiste; assite-nos com a dor de nossos pecados, que odiamos mais que todos os outros males; assisti-nos com o desejo que temos de vos amar e de vos dar gosto. Sim Senhor nosso, queremos amar-vos e tanto quanto possamos. Certo que tememos por nossa fragilidade e debilidade contraídas por causa de nossos pecados, mas muito amor é a confiança que vossa graça nos infunde, fazendo-nos esperar em vossos méritos e dando-nos grande ânimo para exclamar: “Tudo posso naquele que me conforta” (Phil. 4,13).
Se somos débeis, Vós nos dareis força contra nossos inimigos; se estamos enfermos, esperamos que vosso sangue seja nossa medicina; se somos pecadores, confiamos em que nos santificareis. Confessamos que no passado cooperamos com nossa ruína porque deixamos de recorrer a Vós nos perigos. De hoje em diante, Deus e esperança nossa, a Vós queremos recorrer e de Vós esperamos toda ajuda e todo o bem.
Amamos-vos sobre todas as coisas e nada queremos amar fora de vós. Ajudai-nos, por piedade, pelo mérito de tantos sofrimentos que desde o princípio sofrestes por nós. Eterno Pai, por amor de Jesus Cristo, aceitai que vos amemos. Se vos iramos, aplacai-vos ao ver as lágrimas do menino Jesus, que vos roga por nós: “Põe teus olhos na face de teu ungido” (Ps. 83,10). Não merecemos graças, mas merece-as esse Filho inocente, que vos oferece uma vida de penas para que sejais conosco misericordioso.
E Vós, Maria, Maria, Mãe Misericordiosa, não deixeis de interceder por nós; sabeis quanto confiamos em Vós, e sabemos bem que não abandonais a quem recorre a Vós.

6º Dia – 21 de dezembro

  • Jesus no seio de Maria
Sou contado entre os que descem à cova,tornei-me como um homem sem força. (Ps. 87,5)
Consideremos a vida penosa por que passou Jesus Cristo no seio de sua Mãe. Era livre, porque se tinha feito voluntariamente prisioneiro de amor, mas o amor o privava do uso da liberdade e o mantinha em cadeias tão apertadas que não podia mover-se. Ó grande paciência do Salvador! Ao pensar nas penas de Nosso Senhor ainda no seio de sua Mãe.
Vejamos a que se reduz o Filho de Deus por amor dos homens: priva-se de sua liberdade e se encadeia para livrar-nos das cadeias do inferno. Muito, pois, merece ser reconhecida com gratidão e amor a graça de nosso libertador e fiador, que, não por obrigação, mas por afeto, se ofereceu para pagar e pagou nossas dívidas e nossas penas, dando por elas sua vida: “Não te esqueças do benefício que te fez o que ficou por teu fiador, porque ele expôs a sua vida por ti”(Eccli. 29,20).
Reza-se o Terço e a Ladainha de Nossa Senhora
Oração: “Não te esqueças do benefício que te fez o que ficou por teu fiador”.Sim, ó Jesus, com razão nos adverte o Profeta de que não nos esqueçamos da imensa graça que nos fizeste. Nós éramos devedores e réus, e, Vós inocente. Vós, nosso Deus, quisestes satisfazer por nossos pecados com vossas penas e com vossa morte.
E depois esquecemos esta graça e vosso amor e nos atrevemos a voltar-vos as costas, como se não fosseis nosso Senhor, o Senhor que nos amou tanto. Mas, se no passado o
esquecemos, não queremos, Redentor nosso, esquecer-vos no futuro. Vossas penas e vossa morte serão nosso contínuo pensamento, e elas nos recordarão sempre o amor que nos tivestes.
Maldizemos os dias em que, esquecidos de quanto sofrestes por nós, abusamos lamentavelmente da liberdade que nos destes para amar-vos e empregamos em desprezar-vos. Essa liberdade que nos destes, hoje vo-la consagramos. Livrai-nos, ó Jesus, da desgraça de ver-nos de novo separados de Vós e feitos escravos do demônio. Prendei a vossos pés nossas almas a fim de que não nos separemos mais de vós. Padre Eterno, pelo cativeiro que o Menino Jesus padeceu no seio de Maria, livrai-nos das cadeias do demônio e do inferno.
E Vós, Mãe de Deus, socorrei-nos. Carregai-nos aprisionados e estreitados ao Filho de Deus. Pois, já que Jesus é vosso prisioneiro, fará tudo o que mandardes. Dizei-lhe que nos perdoe e que nos faça santo.
Ajudai-nos, nossa Mãe, pela graça e honra que vos fez Jesus Cristo de habitar nove meses em vosso seio.

7º Dia – 22 de dezembro

  • Dor que causou a Jesus Cristo a ingratidão dos homens
Veio para o que era seu e os seus não o receberam. (Jo. 1,11)
Em certo Natal andava São Francisco pela floresta e pelos caminhos gemendo e suspirando, e, ao perguntarem-lhe a causa de sua tristeza, respondeu: “Como quereis que não chore vendo que o amor não é amado? Vejo Deus inebriado de amor pelos homens e os homens tão ingratos para com esse Deus”. Se tanto afligia essa ingratidão dos homens a São Francisco, consideremos quanto mais afligirão ao Coração de Jesus. Tão logo foi concebido no seio de Maria viu a cruel correspondência que havia de receber dos homens. Tinha vindo do céu para atear o fogo do amor divino, e esse desejo o tinha feito descer à terra e sofrer um abismo de penas e ignomínias: ”Vim trazer o fogo à terra e que quero senão que se ateie?” (Lc.12,49). E depois via o abismo de pecados que cometeriam os homens apesar de terem sido testemunhas de tantas provas de seu amor. Esse foi, disse São Bernardino de Sena, o que lhe fez padecer uma dor infinita.
Ainda entre nós, quando alguém se Vê tratado ingratamente por outro é uma dor insuportável, pois a ingratidão freqüentemente aflige a alma mais que outra dor ao corpo. Que dor, pois, ocasionaria a Jesus, que era nosso Deus, ver que, por nossa ingratidão, seus benefícios e seu amor seriam pagos com desgostos e injúrias? “Deram-me males em troca de bens e ódio em troca do amor que eu lhes tinha”. (Ps. 108,5). E ainda hoje se lamenta Jesus Cristo: “Fui um estrangeiro para meus irmãos” (Ps. 68,9), pois vê que não é amado nem conhecido de muitos, como se não lhes tivesse feito bem nenhum nem tivesse sofrido nada por seu amor.
Ó meu Deus, que caso fazemos, mesmo os cristãos, do amor de Jesus Cristo? Apareceu um dia Ele ao Beato Henrique Suso como um peregrino que mendigava de porta em porta, sendo sempre posto fora com injúrias. Quantos são semelhantes àqueles de quem falou Jó: “Eles diziam a Deus: Retira-te de nós, e julgavam o Onipotente, como se não pudesse fazer nada; sendo que ele cumulou de bens as suas casas “(Job,22,17). Nós, ainda que no passado nos tenhamos unido a esses ingratos, queremos continuar com nossa ingratidão no futuro? Não, porque não o merece aquele amável Menino que veio do céu padecer e morrer por nós para que o amássemos.
Reza-se o Terço e a Ladainha de Nossa Senhora
Oração: Senhor Jesus, que descestes do céu para que nós vos amássemos, tomando uma vida cheia de trabalho e a morte numa cruz, como pudemos tantas vezes dizer-vos: “Retirai-vos de nós”, não vos queremos, ó nosso Deus, se não fôsseis bondade infinita nem tivésseis dado a vida para perdoar-nos, não nos atreveríamos a pedir-vos perdão; mas sabemos que Vós mesmo nos quereis dar a paz:“Convertei-vos a mim, diz o Senhor Deus dos exércitos e eu me voltarei para Vós” (Zach. 1,3). Vós mesmo, Jesus, que sois o ofendido, intercedeis por nós. Não queremos, pois, ofender-vos ainda uma vez, desconfiados de vossa misericórdia.
Arrependemo-nos com toda a alma de vos ter desprezado, meu sumo Bem. Dignai-vos receber-nos em vossa graça pelo sangue derramado por Vós. “Pai, não sou digno de ser chamado teu filho” (Lc.15,21). Não, nosso Redentor e Pai, não somos dignos de ser vossos filhos, porque tantas vezes renunciamos ao vosso amor; mas Vós nos tornais dignos com vossos merecimentos. Que só o pensamento da paciência com que suportastes nossos pecados durante tantos anos e das graças que nos concedestes, depois de todas as injúrias que vos fizemos, faça-nos viver ardendo nas chamas de vosso amor. Vinde, pois, Senhor, que não vos expulsaremos mais, vinde habitar nosso pobre coração. Amamo-vos e queremos amar-vos para sempre, e Vós abrasai-nos sempre mais, com a lembrança do amor que nos tivestes.

8º Dia – 23 de dezembro

  • Amor de Deus aos homens no nascimento de Jesus
Porque apareceu a graça de Deus nosso Salvador a todos os homens, ensinando-nos que
renunciando à impiedade… vivamos piedosamente no presente século, aguardando a esperança
bem-aventurada e a vinda gloriosa do grande Deus e Salvador Nosso Senhor Jesus Cristo. (Tit. 2,
12-14)
Consideremos que a graça salvadora de Deus que se manifestou a todos os homens foi o profundíssimo amor de Jesus Cristo aos homens. Esse amor, embora tenha sido da parte de Deus sempre idêntico, nem sempre foi igualmente manifesto.
Antes fora prometido muitas profecias e encoberto sob o véu de muitas figuras. Mas, no nascimento do Redentor, deixou-se ver claramente, aparecendo aos homens o Verbo eterno como menino deitado sobre o feno, gemendo e tremendo de frio, começando já assim a satisfazer pelas penas que merecíamos e dando-nos a conhecer o afeto que nos tinha, sacrificando por nós a vida: ”Nisto conhecemos a caridade de Deus, porque Ele deu sua vida por nós”. Manifestou-se, pois, a graça salvadora de Deus, e manifestou-se a todos os homens. Mas porque não o conheceram todos e ainda hoje há tantos que, podendo, não o conhecem? Porque “a luz veio ao mundo e os homens
amaram mais as trevas que a luz” (Jo. 3,19). Não o conheceram nem o conhecem porque não querem conhecê-lo e amam mais as trevas do pecado do que a luz da graça. Não pertençamos ao número desses infelizes. Se até aqui temos fechado os olhos à luz, pensando pouco no amor de Jesus Cristo, procuremos, até o fim de nossa vida, ter sempre ante os olhos os sofrimentos e a morte de nosso Redentor, para amar a quem tanto nos amou: “Aguardando a bem-aventurada esperança e a vinda gloriosa do grande Deus e Salvador Nosso Jesus Cristo” (Tit. 2,13).
Assim poderemos confiar fundadamente, segundo as divinas promessas, alcançar aquele paraíso que Jesus Cristo nos conquistou com seu sangue. Nesta primeira manifestação vem Jesus Cristo como menino, pobre e desprezado, nascido num estábulo, coberto de pobres panos e reclinado na palha, mas na segunda aparição virá sobre um trono de majestade: “E verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens do céu com grande poder e majestade” (Mt. 24,30). Feliz naquela hora quem não o tenha odiado ou desprezado.
Reza-se o Terço e a Ladainha de Nossa Senhora
Oração: Óh, Santo Menino, agora vos contemplamos sobre a palha, pobre, aflito e abandonado; mas sabemos que vireis um dia para julgar-nos sobre esplendoroso trono, rodeado de anjos. Perdoai-nos antes de julgar-nos.
Então sereis um juiz rigoroso, mas agora sois nosso Redentor e nosso Pai misericordioso. Ingratos fomos, não vos conhecendo por não querer conhecer-vos, e em vez de
pensar em amar-vos, considerando o amor que nos tivestes, só pensamos em satisfazer nosso apetite, desprezando vossa graça e vosso amor. Em vossas mãos pomos nossa alma, que tantas vezes nos esforçamos por perder, para que Vós as salveis. “Em tuas mãos entrego meu espírito: tu me livrarás. Senhor, Deus de Verdade” (Ps. 30,6). Em Vós deposito minhas esperanças, pois seis que, para resgatar-me do inferno, destes sangue e vida. Tu me livrarás, Senhor, Deus de Verdade.
Não me fizestes morrer quando eu estava em pecado e me esperastes com tanta paciência para que, entrando em mim, me arrependesse de vos ter ofendido, começasse a amar-vos e assim pudésseis perdoar-me e salvar-me. Sim, meu Jesus, quero agradar-vos; arrependo-me de todo o mal e desgosto que vos tenho causado. Salvai-me por vossa misericórdia e seja minha salvação amarvos sempre nesta vida e por toda a eternidade.
Minha amada Mãe, recomendai-me a vosso Filho, fazei-o ver que sou servo vosso e que em Vós pus minha esperança, pois Ele vos ouve e não vos nega nada.

9º Dia – 24 de dezembro

Viagem de São José e de Maria Santíssima a Belém
Subiu também José para inscrever-se no censo com Maria, sua esposa, que estava prestes a dar à luz. (Lc.10,5)
Tinha Deus decretado que seu Filho nascesse nem sequer na casa de José, mas numa gruta, num estábulo, do modo mais pobre e penoso que possa nascer uma criança; já para isso dispôs que César Augusto publicasse um édito no qual ordenava que fossem todos recensear-se em sua cidade natal. José, ao ter notícia dessa ordem, certamente hesitou sobre deixar ou levar consigo Maria Santíssima, próxima de dar à luz, uma vez que não tinha riqueza para proporcionar-lhe uma viagem conveniente, nem queria, por outro lado, deixá-la sozinha e sem amparo.
Sabia, contudo, Maria que, como anunciara o profeta Miquéias, devia o Salvador nascer em Belém; por isso, tomando os panos e roupas que preparara para seu Filho, partiu Ela com José, pobremente, em tempo de inverno, prestes a dar à luz, para submeter-se à vontade de Deus. Una-nos a eles, e através das penas e dores da nossa viagem por esta vida, louvemos a Deus, sejamos-lhe gratos, pedindo-lhe apenas que esteja sempre conosco Nosso Senhor Jesus Cristo.
Peçamos a José e a Maria que pelo mérito das penas padecidas em sua viagem, nos acompanhem na viagem que estamos fazendo para a eternidade.
Reza-se o Terço e a Ladainha de Nossa Senhora
Oração: Meu amado Redentor, acompanhado na terra apenas por José e Maria, ao ir a Belém, permiti-me que vos acompanhe também eu, Vós descestes do céu para ser meu companheiro na terra, e eu tantas vezes já vos abandonei ofendendo-vos ingratamente. Quando penso que, tantas vezes, para seguir minhas malditas inclinações, separei-me de Vós, renunciando a vossa amizade, quisera morrer de dor. Vós viestes para perdoar-me; assim, pois, perdoai-me imediatamente, pois com toda a alma me arrependo de vos ter dado tantas vezes as costas e abandonado. Proponho e espero, com vossa graça, não vos deixar mais nem separar-me mais de Vós. Uni-me, estreitai-me com os suaves laços de vosso santo amor, meu Redentor e meu Deus.
Maria Santíssima, venho acompanhar-vos em vossa viagem; não deixeis de assistir-me na que estou fazendo para a eternidade. Assisti-me sempre e, especialmente, quando me achar no fim de minha vida, próximo ao instante de que depende estar sempre convosco para amar a Jesus no paraíso, ou estar sempre longe de vós, para odiar a Jesus no inferno. Minha Rainha, salvai-me por vossa intercessão, e seja a minha salvação amar-vos, a vós e a Jesus, para sempre, no tempo e na eternidade. Sois minha esperança; em vós confio.
 Escrito por Santo Afonso Maria de Ligório   
Fonte: Reporter de Cristo,

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