quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Deus não precisa de mim, ele me quer

Olá, amigos!
Passado algum tempinho que não postamos algo de nossa autoria aqui, hoje tem algo novo.
Depois de tantos acontecimentos parece que passaram anos; essa é a sensação da primeira quinzena do mês de agosto, essa é a sensação pós JMJ, ainda mais pra quem ficou 2 anos esperando, rezando e ansiando por ela.
Enfim, estamos no mês de agosto, o mês das vocações e todo ano refletimos aqui no Blog sobre as vocações.
Desta vez, não queremos falar muito mas queremos quebrar alguns tabus, que mesmo sendo pequenos coloca em nós uma mentalidade enganada sobre o assunto: vocação.


Quando se fala em mês das vocações o único pensamento às vezes é: Mês de rezar pelos padres. E na maioria das vezes, aquilo que se fala, que o padre venha da casa do vizinho... rsrs
Cremos que fomos sonhados, pensados, queridos por Deus, o Criador, mesmo que a gravidez em que fomos gerados não tenha sido a mais desejada(!), somos amados, criados e escolhidos no amor. E depois? Será que fomos lançados no mundo, e Deus disse: "Vai agora e se vira" ? Todos temos um propósito nesta vida e que deve ser vivido na busca de Deus. Dizia Santo Agostinho: "Fizeste-nos para Ti e inquieto está o nosso coração enquanto não repousar em Ti." 
É preciso na profissão que escolhemos (ou escolheremos), na família que vivemos (ou viveremos), no bairro, na cidade, no estado, onde estamos viver a incansável busca de Deus. Isto é o sentido da vida e o caminho da felicidade. A cada instante que O buscamos mais aumenta a certeza de que somos queridos por Deus e Ele tem um propósito para nossa vida. Ele pode estar na vida consagrada, no sacerdócio, na família... Não somos ilhas e em certa faze da vida é importante pensar nestes caminhos, pois como discernir-lo se não pensarmos e buscarmos a direção de Deus para nossa vocação(chamado, em latim). Fomos chamados à vida, para vivermos o amor de alguma forma específica que cada um vive de forma única. O importante, e todos os anos neste mês, a Igreja se volta para esse assunto para sabermos mais, refletirmos com mais entendimento e rezarmos sem nos esquecer que somos chamados ao amor de Deus.


Então, você topa entrar nesse caminho de busca de Deus? O resultado é a busca da felicidade.


domingo, 14 de julho de 2013

      A loucura do movimento constante

"As últimas gerações são formadas, portanto, de espíritos desnutridos, pobres, vazios. Homens-máquina que realizam, que resolvem, que fazem acontecer, mas que, por terem um espírito apagado, não compreendem as razões, o sentido final das coisas"


As gerações modernas sofrem de um vazio terrível. Isso parece um absurdo, já que são tão ativas, tão dispostas a fazer tantas coisas, que pensar que algo para elas é chato não tem muito sentido. Porém, seres espirituais que somos, e não apenas biológicos, as ações, os movimentos, os atos não são suficientes para satisfazer a alma humana. Esta, sendo espiritual, apenas encontra o sentido para sua existência em algo espiritual, aquilo que mostra a finalidade do seu ser.

No entanto, o que de espiritual foi cultivado na vida dos jovens dos últimos 50 anos? Estes já nasceram em mundo em pleno movimento, de mudanças constantes e quase ininterruptas. Um mundo que valoriza imensamente as ações, a práxis e que esqueceu do valor da contemplação. Uma sociedade que ama a técnica, que supervaloriza a realização, mas que não reflete, não medita, não pensa no abstrato. Uma geração concreta.
Também são gerações que aprenderam que tudo é permitido. Não há regras que as impedem, a não ser exatamente aquelas que a podem punir no presente, de fato. Portanto, que não se fale para elas de valores eternos, de moral permanente, nem de condenação além da vida. Assim, tudo, para elas, é hoje, é agora. 
Tudo isso as ensinou a não planejar a longo prazo, a não enxergar além do que está diante dos olhos, em seu fenômeno mais imediato. Por isso, as coisas precisam acontecer, precisam ser realizadas. A ação é o seu instrumento. Que se façam as coisas para depois ver-se se estão de acordo com as finalidades almejadas. E ações não têm o compromisso com a tradição, com valores, com a moral. Elas, simplesmente, transformam.
São gerações que desprezaram o espírito. Sim, pois o que é do espírito não se resolve no imediato. O que é do espírito depende do cultivo constante, da alimentação da alma, do preenchimento do eu. E isto não se resume na prática, mas depende, inegavelmente, do pensar, do refletir, do abstrair-se constantemente.
Mas as últimas gerações sequer sabem o que é isso: a abstração. O realizar é sua realidade. Trabalham, sim. Realizam, também. No entanto, as transformações que buscam visam o agora, o imediato. Afinal, não foi assim que aprenderam? Não são eles filhos do materialismo dialético que dispensou o transcendente e valorizou unicamente a prática?
E de realização em realização a alma foi-se esvaziando. Conquistas foram obtidas, sem dúvida. Avanços, quem os pode negar? Mas a alma, esta renegada, foi esquecida. Nuca se alimentou tão bem o corpo e nunca deixou-se de tal maneira a alma definhar. 
As últimas gerações são formadas, portanto, de espíritos desnutridos, pobres, vazios. Homens-máquina que realizam, que resolvem, que fazem acontecer, mas que, por terem um espírito apagado, não compreendem as razões, o sentido final das coisas.
E daí, de repente, são despertados para algo que eles não entendem. E como entender, se jamais refletiram sobre isso? Apenas percebem que precisam se movimentar, que precisam fazer. Pensar para quê? Vamos agir! E encontram-se nas ruas todas as gerações criadas sob o mesmo paradigma: o da ação. E continuam a mexer-se. E aqui encontra-se a loucura do movimento constante: não tem fim. São apenas corpos vazios de alma que caminham sem direção. Sabem apenas que precisam caminhar. 
O problema é que seus espíritos não estão preparados para compreender nada. Sentem, afinal não são máquinas em um sentido estrito, mas são incapazes de decifrar o que percebem. Então gritam contra tudo. Se não entendem o que exatamente está errado, então tudo deve estar errado. Assim eles sentem.
É por isso que caminham juntos interesses tão diversos, quando não contraditórios. Cada um reclama contra o que sente estar errado, contra aquilo que, segundo percebe, mais o prejudica. Mas tudo é difuso, sem fim, sem direção. E assim é por causa da pobreza do espírito, que não vê nada além dos fatos mais imediatos que se apresentam em seu átimo.
Se "o que é espiritual discerne todas as coisas" (1Co 2.15), a ausência do espírito condena o homem a ser conduzido "segundo o curso deste mundo" (Ef. 2.2). E é essa ausência de espírito que faz com que muitos saiam às ruas, como autômatos conduzidos por alguém que eles não vêem e não têm a mínima possibilidade de compreender quem são.
Desde os anos 60 somos uma geração que se movimenta, e não muito longe estamos de, definitivamente, cairmos no abismo que nos espreita. 
Autor FABIO BLANCO | 05 JULHO 2013 
Fabio Blanco
 é advogado e teólogo.

sábado, 1 de junho de 2013

Jovens santos

Artigo do Padre Inácio José do Vale: A Igreja e os jovens santos
Exemplos de Jovens
“A mulher de Putifar lançou os olhos sobre José e disse: “Dorme comigo!”Mas ele se recusou e disse: ”O teu esposo nada me interditou senão a ti, porque és sua mulher, como poderia eu realizar um tão grande mal e pecar contra Deus? Ainda que ela lhe falasse a cada dia, José não consentiu em dormir a seu lado e se entregar a ela” (Gn 39, 7-10).
Temos excelentes exemplos de jovens a serem seguidos na Sagrada Escritura e na História da Igreja.
São extraordinários modelos que nos fascinam o coração e a razão. Toca profundamente à nossa sensibilidade. Mexe realmente com o nosso “eu”.
A nossa alma fica abalada e tão estremecida com tais exemplos de renúncia e santidade, devido o nosso apego ao pecado e aos prazeres materiais.
Por trás de tudo isso, estar o nosso egoísmo, avareza, soberba e boçalidade.
E o fator preponderante é saber que não é impossível seguir o paradigma daqueles que alcançaram o maior grau de perfeição.
Dizia o grande Doutor e Bispo da Igreja Santo Agostinho: “Aceita tua imperfeição. É o primeiro passo para alcançares tua perfeição”. Na sua ascese realística dizia ainda: “O que eles conseguiram, porque não haveria eu de conseguir também?”.
Para o ínclito pregador e Doutor do Evangelho Santo Antônio de Pádua é o amor o fundamento da perfeição. Ele afirmava: “O amor a Deus e ao próximo conduz o homem a perfeição”.
Realmente, o homem sábio é aquele que busca a perfeição no amor e no respeito do seu semelhante.
Fulguração
Na Sagrada Escritura e na História da Igreja, temos uma constelação que ilumina com santidade esse mundo tenebroso.
Albert Schweistzer foi teólogo, filósofo, médico, missionário, musicológico e conferencista alemão. Foi considerado “O maior homem vivo” pelo cientista Albert Einstein e pela revista TIME. Em 1952 recebeu o prêmio Nobel da Paz. Seu pensamento era: “O exemplo não é a principal coisa na vida: é a única coisa”.
José, com seu exemplo determinado de servir a Deus com santidade, salvou o Egito e nações vizinhas da terrível fome.
Davi, com sua coragem e confiança em Deus, derrotou o temido gigante Golias e livrou Israel de um grande vexame.
Ester, tornou-se rainha não só pela beleza, mas pela ousadia e pela divina providência.
Ganhou das concorrentes com respeito e dignidade de uma serva do Senhor Deus. Por isso, salvou o seu povo da destruição.
Daniel, Sidrac, Misac e Abdênago, fizeram pactos a Deus para não se contaminar com os alimentos e a idolatria do rei da Babilônia, Nabucodonosor.
Com fidelidade e firmeza em adorar a único Deus verdadeiro, Sidrac, Misac e Abdêngo, foram jogados numa fornalha acesa, porém saíram ileso.
Por essa atitude exemplar, o rei promulgou um decreto em respeito e reverência ao Deus dos três jovens. Tempo depois, o próprio rei será um adorador do Deus de Daniel.
Entrando nos escritos do Novo Testamento, vamos encontrar logo de cara: a jovem camponesa Maria de Nazaré.
O “sim perfeito” de Maria, de ser o primeiro sacrário do Filho de Deus, fez dela a mulher mais santa do mundo. Desde então, todas as gerações lhe chamarão de bem-aventurada.
João, o apóstolo mais jovem do Colégio Apostólico. Autor do Evangelho que leva o seu nome, três Epístolas e o Apocalipse.
Sua frase: “Que o santo continue a santificar-se”.
Marcos, o jovem autor do primeiro Evangelho que leva o seu nome. Teve o privilégio de trabalhar com os dois grandes apóstolos de Jesus Cristo, Paulo e Pedro.
Timóteo, o jovem pastor da igreja em Éfeso e filho na fé do Apóstolo Paulo.
Como um bom cristão e fiel ministro de Cristo, segue o conselho do seu mestre na fé: “Que ninguém despreze a tua jovem idade. Quanto a ti, sê para os fiéis um modelo na palavra, na conduta, na caridade, na fé, na pureza”.
Tito, outro jovem, pastor na igreja de Creta, discípulo e companheiro do Apóstolo Paulo nas missões cristãs.
Tito também é um verdadeiro filho na fé do Apóstolo dos Gentios e obediente aos seus conselhos: “A graça de Deus nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas, e a viver neste mundo com autodomínio, justiça e piedade”.
A Igreja e os jovens santos
O grande Papa da Paz, João Paulo II afirmou: “A história da Igreja é uma história de santidade”. Disse mais: “ A Igreja é a casa da santidade, na qual o amor de Cristo, dom do Espírito Santo, é a alma”.
João Paulo II, na sua mensagem aos jovens para o Dia Mundial da Juventude do ano 2000, disse de maneira magistral: “Jovens, não tenhais medo de ser os santos do novo milênio”.
Os santos são uma das maiores riquezas da Santa Igreja Católica.
Verdadeiramente, a Igreja é riquíssima desses herói da fé e de um amor apaixonante à Jesus Cristo. Suas vidas e obras são testemunhos que brilham mais do que os astros do firmamento.
As maravilhas dos santos são tão poderosas que ajudam a converter os mais duros dos corações impenitentes.
Suas vidas são convites para o coração do Pai. Somos desafiados a imitá-los. Seus exemplos nos leva a amar mais à Cristo e a fazer a obra de Deus com mais responsabilidade e santidade.
Santo Ambrósio de Milão celebrava a virgindade em quatro tratados-hinos. E numa concepção heróica da santidade, os dois tipos representativos do heróico cristão foram, desde o início, o mártir e a virgem.
Entre as virgens e mártires do tempo das perseguições, uma das mais famosas foi, sem dúvida, Santa Inês. Seu exemplo e seu culto alimentaram gerações de cristãos.
São Dâmaso gravou sua história em dezesseis versos sobre seu sepulcro, concluindo com esta súplica: “Santa Glória da pureza, ínclita mártir, mostra-te benigna às súplicas de Dâmaso”.
A jovem Águeda é uma das santas mais populares da Itália e uma das três famosas santas virgens da ilha da Sicília, ao lado de Santa Luzia e de Santa Rosália, patronas respectivamente, das cidades de Catânia, Siracusa e Palermo.
Águeda, cujo nome é de origem grega e significa ótima, era natural da cidade de Catânia, na Sicília, e pertencia a uma antiga e nobre família.
“A suprema nobreza consiste em ser escravos de Cristo”, afirmou Santa Águeda.
Santa Luzia foi uma das santas mais veneradas na antiguidade. Só em Roma chegou a ter vinte templos dedicados a seu nome e era uma das quatro santas (como Inês, Cecília e Águeda) que gozavam de ofício próprio.
Uma cristã mandou gravar este epitáfio tão terno: “Eusquia, a irrepreensível, viveu santa e pura cerca de quinze anos; morreu na festa de minha Santa Luzia, a qual não pode ser louvada como merece”.
Santa Cecília foi uma das santas mais veneradas durante a Idade Média. O bispo Adelino, em seu livro De virginitate, diz que é a segunda entre as virgens, depois de Maria, Mãe de Deus.
É uma das virgens citadas no cânon da missa e é a que maior número de basílicas teve em Roma e mais igrejas dedicadas em toda a cristandade. É padroeira dos músicos.
Foi martirizada cantando hinos a Deus.
Santa Rosa de Viterbo dedicou sua vida à pregação a partir dos oito anos de idade. Lançou-se à pregação em praça pública contra os abusos e imoralidades, envolvendo em seus ataques a figura do imperador Frederico II, em que via a personificação da heresia.
É um milagre uma jovem pregadora no século XIII com tanto destaque sobressair do exclusivismo clerical.
Santa Rosa morreu em 1252 com apenas 17 anos.
Santa Bernadete, a jovem da aparição de Nossa Senhora de Lourdes, na gruta de Massabielle, França.
Por meio dessa santa jovem, quase analfabeta, foi construindo o Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, que é o maior centro de fé e de milagres da Europa. O sinais miraculosos que têm acontecidos nesse Santuário tem convertidos muitos ateus.
Santa Clélia Barbieri é a fundadora mais jovem de uma congregação religiosa da Santa Madre Igreja, chamada de: “Irmãs Mínimas de Nossa Senhora das Dores”.
Um dia, perguntou à sua mãe: “Mamãe, como posso ser santa?”.
Partiu para glória celestial, para ficar nos braços de Cristo, com 23 anos de idade.
Qual é a santa mais popular e mais amada no mundo? Não tenho dúvida em responder que é a lindíssima jovem francesa Teresinha do Menino Jesus.
Santa Teresinha é conhecida mundialmente, fator espetacular em um espaço de tempo tão curto. A expressão do seu amor é algo que ultrapassa a razão humana.
A sua história encanta qualquer pessoa, seja ela religiosa ou não, rica ou pobre, culta ou iletrada, mansa ou indomável. A sua fama vai além da Igreja Católica e do cristianismo.
Teresinha nasceu na cidade francesa de Alençon, em 2 de janeiro de 1873, numa família tradicionalmente católica. Partiu para casa do Pai no dia 30/09/1897, com 24 anos de idade. Suas últimas palavras foram: “Meu Deus, eu vos amo!”
No seu túmulo, foram escritas as suas palavras: “Quero passar meu céu fazendo o bem sobre a terra”. Esta não é simplesmente uma frase, e sim uma profecia. Hoje, mais de 1.700 igrejas, no mundo, lhe são dedicadas; e o seu “Caminho de Infância Espiritual de amor e confiança” é seguido por milhares de pessoas no mundo inteiro.
Deixou-nos o seu testamento espiritual no livro autobiográfico: História de uma alma. Esta obra magnífica, tornou-se o manual de espiritualidade para muitos religiosos leigos.
Com 15 anos e três meses de idade, ela entrou no convento carmelita para ser freira e nunca mais sair.
No Carmelo de Lisieus-França, Teresinha tornou-se intercessora dos sacerdotes e especialmente dos missionários.
Santa Teresinha do Menino Jesus é padroeira das missões e doutora da Igreja.
Seu lema era: ”Amar a Jesus e fazer com que Ele seja amado por todos”.
Tudo indica, que depois de São Paulo Apóstolo, nenhum santo é tão popular e conhecido no mundo como São Francisco de Assis.
Seu ideal humano e cristão é tão forte que todos podem amá-lo abissalmente.
Tudo ele deixou por amor à Cristo e pela pregação do santo Evangelho.
São Francisco é o santo do amor e da paz universal.
Escreve ele: “Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz! Onde houver ódio que eu leve o amor”.
O jovem pobre de Assis dizia sempre: “... e cada qual ame e alimente a seu irmão como a mãe ama e nutre o seu filho”.
São Luís Gonzaga é o santo jovem padroeiro dos estudantes e da juventude.
Luís Gonzaga, filho do duque de Mântova, pertencia a família nobre.
Parte de sua formação humanística aconteceu na corte dos Habsburgos em Madri (1581-1583), a mais fastuosa do mundo no momento, onde foi convidado como pajem de honra do príncipe Diego, filho de Filipe II.
Mas seu coração não estava preso à sedução do luxo, das honras ou do poder. Com 15 anos tinha decidido renunciar ao principado e tornar-se religioso.
Seu pai opôs-se decididamente a seu pedido de entrara na Companhia de Jesus (Jesuítas). Luís, porém, não cedeu e manteve firme o seu propósito. Vendo a penitência rigorosa do filho, o pai cedeu.
Os quatro anos que viveu na Companhia de Jesus (1587-1591), serviram-lhe para aprofundar ainda mais sua entrega radical ao bom Deus e a libertação do seu semelhante. Por isso, em 1591, a peste invadiu Roma, onde estudava teologia, dedicou-se sem reservas ao serviço dos doentes. Seu organismo, já enfraquecido por vida tão intensa, não agüentou este novo sacrifício pelo próximo. Contraiu a doença e morreu de peste aos 23 anos em 1591.
Escreve esplendidamente o preclaro mestre Frei Patrício Sciadini,OCD: “Hoje, mais do que nunca, todos, mas especialmente os jovens, necessitam de modelos de vida. Luís Gonzaga, com sua generosidade, desprezo dos perigos e abandono de toda a riqueza, é modelo de um novo estilo de juventude”.
“Antes morrer que pecar”. Este pensamento é do jovem discípulo do grande educador da juventude São João Bosco, o místico São Domingos Sávio.
Domingos Sávio foi um dos primeiros meninos a ser acolhido por Dom Bosco no seu Oratório. Este era um centro de estudo, trabalho e de santificação. Com seu pai espiritual aprendeu tudo de bom e do excelente.
Por causa do grande amor que tinha a Jesus Eucarístico, os padres da região de Turim, Itália, permitiram que ele fizesse a Primeira Comunhão com 7 anos de idade, uma exceção significativa para aquela época. Depois da missa de sua Primeira Comunhão, ao retornar para casa, ele escreve quatro compromissos com Jesus Cristo, os quais guiarão toda sua vida em busca da santidade tão desejada:
1ª Confessarei constantemente e comungarei sempre que o meu confessor permitir.
2ª Nos dias santos vou me santificar.
3ª Jesus e Maria serão os meus melhores amigos.
4ª Prefiro a morte ao pecado.
Que amor profundo tinha São Domingos Sávio pelas coisas sagradas e pelo próximo.
Esse jovem é um estupendo exemplo para a juventude.
Quem seguiu essa maravilha de vida cristã, foi o coroinha Adílio Doronch, gaúcho de Dona Francisca –RS.
A caminho da missão, padre Manuel Gómez e o coroinha Adílio caíram em uma emboscada armada por soldado provisórios na localidade de Feijão Miúdo (município de Três Paços – RS). Dois tiros contra o padre e três tiros no jovem de apenas 15 anos (a mesma idade de falecimento de São Domingos Sávio), disparados pelo grupo de anticlericais, ocasionando a morte de ambos.
No mês de outubro de 2007, em Frederico Westphalen – RS, ambos foram declarados bem-aventurados.
Escreve de modo colossal o grande Apóstolo São Pedro: “Bem -aventurados sois, se sofreis injúrias por causa do nome de Cristo, porque o Espírito de Deus repousa sobre vós. Mas ninguém dentre vós queira sofrer como assassino ou ladrão, ou malfeitor ou como delator, mas, se sofre como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus por esse nome” (1 Pd 4, 14-16).
Mal Exemplo
“Há caminho que parece reto para alguém, mas afinal é o caminho da morte” (Pr 14,12).
Foi estarrecedora uma matéria estampada no Jornal do Brasil sobre a violência, drogas, armas e delinqüência que seduzem os jovens ao crime.
Segue a matéria: “A violência é um atrativo. Armas drogas e homicídios tornam-se sedutores para jovens que vivem em condições sem perspectiva diante da pobreza do meio em que vivem. Mais do que o retorno financeiro, a expectativa é de que a escolha pelas atividades ilegais seja uma maneira de adquirir respeito e admiração.
A constatação feita pela pesquisadora Thais Cardinale Branco, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), mostra a relação da violência com o comportamento e os valores de jovens que vivem em bairros da periferia de São Paulo. Thais conviveu durante dez anos com a população de um bairro de baixa renda da periferia e traçou um paralelo entre a valorização de símbolos ligados à violência entre os jovens da comunidade.
“O principal interesse da minha pesquisa foi verificar como os jovens que habitam a periferia pobre da cidade de São Paulo legitimam a violência – explica a pesquisadora”.
Para Thais, há, na história de vida desses jovens, ausência paterna, maus tratos e falta de quem pôde se dedicar suficientemente a eles na infância” (1).
O mal exemplo dos pais, das autoridades competentes, da mídia, da exclusão social, dos artistas, dos falsos amigos e principalmente a falta da Religião Cristã, são causas do péssimo comportamento juvenil.
O grande estadista francês Charles de Gaulle afirmou: “O primeiro e mais essencial componente de uma identidade nacional é o idioma e os outros dois pilares da honra nacional são a alta cultura e a religião”.
Se esses jovens tivessem desde o nascimento o modelo de vida de um José do Egito e de uma Santa Teresinha do Menino Jesus, jamais conheceriam ou praticariam atos abomináveis.
Tão atual é o sagrado pensamento do maior Apóstolo de Cristo, São Paulo: “Sede meus imitadores como eu mesmo o sou de Cristo”.
No relatório da OMS, aparece que os suicídios estão em preocupante aumento. Em 2000, 815 mil pessoas tiraram a própria vida, isto é, 14,5 em cada 100 mil pessoas, o que significa um suicídio a cada 40 segundos no mundo inteiro. A faixa etária dos suicidas está entre 15 e 44 anos (2).
Não tenho dúvida que a nossa mocidade precisa urgentemente de uma profunda consciência dos valores da santíssima fé em Cristo para uma transformação radical. E temos uma grande responsabilidade por essa abissal tarefa.
Conclusão
O que falta para que a juventude seja muito feliz, tenha paz, sucesso e vida com abundância? Falta Tão somente seguir o exemplo de Jesus, Maria e dos santos.
José do Egito venceu a proposta indecente da mulher de Putifar. Hoje significa vencer a prostituição e o adultério.
Ester venceu o concurso de beleza e tornou-se rainha. Hoje significa vencer a ditadura da beleza, do narcisismo, do hedonismo e os padrões escravocratas da indústria cosméticas.
Davi venceu o gigante Golias. Hoje significa vencer o gigante das drogas e da violência.
Daniel e seus amigos venceram a idolatria e a covardia do reinado de Nabucodonosor. Hoje significa vencer idolatria sexual, do capital e o sistema alienante com a sua cultura de morte.
Marcos venceu o medo, a inconstância e a magia do império romano. Hoje significa vencer o encanto do templo do consumo(Shopping Center),o vício da internet e os jogos eletrônicos.
Timóteo venceu todos os obstáculos para seguir o seu ministério pastoral. Hoje significa vencer todas as incompatibilidades para concluir o curso universitário.
João, é conhecido como o Apóstolo do Amor. Ele mesmo escreveu: “Deus é amor”. Sendo o mais jovem dos apóstolos, venceu com caridade seu espaço entre os anciãos. Hoje significa que o jovem tomado por esse sentimento tão poderoso vence tudo.
Os santos venceram as grandes dificuldades e terríveis sofrimentos e o império das trevas. Tendo em mente a meta do Bem maior: Deus, o Senhor e Criador de todas as coisas.
O que significa tudo isso para nós? Significa uma herança riquíssima de uma hipotalássica espiritualidade digna de ser seguida e protegida com o máximo zelo.
A Santa Igreja de Deus é iluminada pela amabilíssima constelação dos santos – os nossos tesouros –, tendo o maior Astro de todos: “Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”, o autor e realizador da nossa santíssima fé.
“Salve, Astro sem ocaso, que introduz no mundo o Grande Sol”.(Hino Akáthistos IX, 2).
Pe. Inácio José do Vale
Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo
Professor de História da Igreja
Faculdade de Teologia de Volta Redonda
e-mail: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com


Fontes:
(1) Jornal do Brasil, 10/03/2008, p.A7.
(2) Mundo e Missão, dezembro de 2002, p.18.
O Mensageiro de Santo Antônio, Outubro de 2007, p.27.
Mensagem de João Paulo II para o XXXIX Dia Mundial de Oração pelas vocações em 21/04/2002.
Palacín, S.J. Carlos e Pisaneschi, Nilo. Santo nosso de cada dia, rogai por nós! Santoral popular, São Paulo: Loyola, 1991.
Cechinato, Luiz. Os vinte séculos de caminhada da Igreja: principais acontecimentos da cristandade, desde os tempos de Jesus até João Paulo II, Petrópolis, RJ: Vozes, 1996.
Aquino, Felipe R. Queiroz de. Na Escola dos Santos Doutores, Lorena, SP: Cléofas, 1996.
Retirado do site Rainha Maria
 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Festa e procissão de Corpus Christi (ou Corpus Domini)

o corporal ensanguentado está na basílica de Orvieto onde pode é visto e venerado pelos fiéis
Corporal com gotas do Preciosíssimo Sangue do milagre de Bolsena,
na basílica de Orvieto
Na Idade Média, os homens tinham uma devoção enlevada pela pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A história da festa de Corpus Christi tem origem nessa devoção.


Pelo fim do século XIII, na Abadia de Cornillon, em Liège, Bélgica, nasceu um Movimento Eucarístico que deu origem à Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento, o uso dos sinos na elevação na Missa e a própria festa do Corpus Christi.

Neste ano de 2012, a festa de Corpus Christi cai no dia 7 de junho. 

A abadessa Santa Juliana de Mont Cornillon ardia em desejos de que o Santíssimo Sacramento tivesse uma festa especial.


Santa Juliana comunicou a visão a vários prelados
Miniatura do Livro de Horas (devocionário) de Maria de Borgonha.
A devoção do Ssmo. Sacramento deito profunda raízes na Idade Média.
Ela teve uma visão em que a Igreja aparecia como uma lua cheia com uma mancha negra, sinal da ausência da solenidade.

Santa Juliana comunicou a visão a vários prelados. Entre estes estava o futuro Papa Urbano IV.

O bispo Roberto de Liège, em 1246, instituiu a celebração na diocese. O exemplo se estendeu especialmente por toda a atual Alemanha.

Em 1263, o Papa Urbano IV estava em Orvieto, ao norte de Roma.

Na vizinha localidade de Bolsena, o padre alemão Pedro de Praga celebrava Missa na Igreja de Santa Cristina. 

Um dia, em plena Missa, ao partir a Sagrada Forma, saiu dEla sangue que empapou o corporal.
O padre celebrava mas com sérias dúvidas
sobre Presença Real de Cristo na Hóstia consagrada
quando essa começou a pingar sangue.
Ele tinha sérias dúvidas sobre a realidade da presença de Cristo na Hóstia consagrada.

Assim que ele completou as palavras da Consagração, o Sangue começou a escorrer da Hóstia Consagrada e correr por suas mãos abaixo, sobre o altar e sobre o linho (corporal).

Vendo isto, ele interrompeu a Missa e viajou depressa a Orvieto onde o Papa Urbano IV residia.

Ao ouvir a história dele, o Papa o perdoou por ter dúvidas e enviou os representantes a Bolsena, para investigarem.

Paroquianos e outras testemunhas confirmaram a história do padre; e a Hóstia e os linhos manchados estavam lá para todos verem.

Este se conserva até hoje na basílica de Orvieto ― construída, aliás, para guardá-lo ― onde pode ser visto e venerado pelos fiéis.

O Santo Padre movido pelo prodígio, e a petição de vários bispos, estendeu a festa do Corpus Christi a toda a Igreja por meio da bula "Transiturus" de 8 setembro do mesmo ano de 1264.

No século XIII nasceu um Movimento Eucarístico que deu origem à Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento
Bênção do Ssmo. Sacramento na Festa de Corpus Christi,
Blackfriars, Oxford, Inglaterra
Urbano IV encarregou o ofício e a liturgia das horas a São Boaventura e a Santo Tomás de Aquino.

Mas quando o Pontífice começou a ler em voz alta o ofício feito por Santo Tomás, São Boaventura, despretensiosamente foi rasgando o seu em pedaços.

As procissões de Corpus Christi se fizeram comuns a partir do século XIV.

Quando os protestantes conceberam a estultice de negar a Presencia Real de Nosso Senhor Jesus Cristo na Hóstia consagrada, o Concílio de Trento reforçou o costume.

O Concilio de Trento dissipou os erros protestantes, determinado que fosse celebrado este excelso e venerável sacramento com singular solenidade; e honorificamente seja levado em procissão pelas ruas e lugares públicos.

A contestação reapareceu no século XX, sob rótulo de progressismo, particularmente desconhecedor da Igreja e de tudo quanto o Espírito Santo inspirou à Esposa Mística de Cristo, em especial, durante a Idade Média.
Fonte: Orações e Milagres Medievais

Na festa de Corpus Christi, o hino “Ave Verum” (“Salve, ó verdadeiro corpo”)

Elevação na Missa, Dorchester Abbey, ©Fr Lawrence OP


Na Idade Média foram compostas muitas músicas e poesias religiosas em louvor do Santíssimo Sacramento.

Esta grande devoção teve, aliás, imenso incremento no período medieval. Podemos então dizer que ela ‒ aperfeiçoada pela Contra-Reforma ‒ chegou até nós impreegnada do perfume da Idade Média.


A presencia real de Nosso Senhor Jesus Cristo, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade na Sagrada Eucaristia está fundamentada nas próprias palavras de Cristo na Última Ceia: “Este é meu corpo, esta é minha sangue”.

A Fé na presença real de Cristo na Eucaristia foi professada universalmente por toda a Igreja desde sua fundação.

Só com o protestantismo que apareceram contestações, aliás mais próximas da chicana do que qualquer outra coisa. Foram sobejamente refutadas pelos Doutores e notadamente pelo Concílio de Trento.

Na crise da fé no século XX, reapareceram falsos teólogos que pretenderam reviver os erros protestantes com outro nome.

É o malfadado progressismo, que tem menos fundamento na verdade do os próprios protestantes. Todos esses erros acabarão ficando à margem da História, como já ficaram os de Calvino, Zwinglio, Melanchton ou Lutero.

Elevação do cálice na Missa, Dorchester Abbey, ©Fr Lawrence OPNo século XI, portanto em plena Idade Média, a Igreja aprofundou o estudo racional da Presença Real.

Esse genuíno desenvolvimento do dogma católico gerou um grande movimento de piedade eucarística.

Um dos seus momentos culminantes foi a instituição da festa de Corpus Christi, em 1264.

Como o povo penetrado de verdadeira fé aspirava ver a Deus feito carne na Hóstia consagrada, foi introduzido na Missa o rito da elevação. Ele acontece logo depois da Consagração.

Durante a elevação, os medievais faziam soar um sino especial, e os fiéis espalhados pela catedral ou pela igreja acorriam para ver e adorar a Hóstia divina.

Também se acendia um círio num alto candeeiro. Posteriormente acendeu-se um castiçal pequeno, também chamado de palmatória, que assim ficava até a comunhão, para significar a presença real de Cristo na Eucaristia.

Nesses felizes tempos medievais em que florescia a fé foram compostos vários hinos ao Santíssimo Sacramento cantados até hoje, ou, pelo menos, até que a desordem progressista não os bloqueou. É de se esperar que essa sabotagem não dure muito.

São Tomás de Aquino, VaticanoEntre esse hinos fiéis reflexos do dogma católico figura o Ave Verum em posição de destaque.

Ele cantava-se especialmente após a Consagração, quando o verdadeiro corpo de Cristo estava realmente presente no altar, pois o hino começa “Salve, ó verdadeiro corpo”.

A maioria dos autores concorda em atribuir a autoria a São Tomás de Aquino (+ 1274).

Ele fez outros hinos também famosíssimos, cheios de lógica e unção, consagrados a Cristo Sacramentado.

Citemos, pelo menos, o Pange língua, o Verbum supernum prodiens, o Sacris sollemnis, o Adoro te devote e a não menos divinamente inspirada seqüência Lauda, Sion, Salvatorem.

Eis o texto do Ave Verum, com sua tradução ao português:

Ave verum corpus natum de Maria Virgine
Salve, ó verdadeiro corpo nascido da Virgem Maria

Vere passum, immolatum in cruce pro homine
Que verdadeiramente padeceu e foi imolado na cruz pelo homem

Cuius latus perforatum fluxit aqua et sanguine
De seu lado transpassado fluiu água e sangue

Esto nobis praegustatum mortis in examine
Sê para nós remédio na hora tremenda da morte

O Iesu dulcis, o Iesu pie, o Iesu fili Mariae.
Ó doce Jesus, ó bom Jesus, ó Jesus filho de Maria.


As exclamações finais foram objeto de pequenas adaptações segundo as dioceses.

Fonte: Pe. Manuel Jesús Carrasco Terriza, “Cuerpo de Cristo, arte y vida de la Iglesia”.

A adoração das Quarenta Horas

No século XIII nasceu um Movimento Eucarístico que deu origem à Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento
Rei e Senhor do Universo, merece Jesus Cristo Nosso Senhor, real e verdadeiramente presente na Sagrada Eucaristia, que se Lhe prestem honras públicas, devidas a seus direitos sobre toda a criação.

Entre elas, a piedade católica, sancionada posteriormente por decretos pontifícios, excogitou a Adoração das 40 Horas, em que durante três dias o Santíssimo Sacramento é solenemente exposto, noite e dia, à pública adoração. Neste período, nenhum leigo deve entrar a rezar no presbitério.

Os Romanos Pontífices concederam inúmeras indulgências aos que publicamente façam atos de veneração ao divino Juiz e Rei Soberano, entre elas a de poder ganhar, em cada um dos três dias, uma indulgência plenária, fazendo uma visita a Sua Divina Majestade, tendo-se confessado e comungado, rezando diante do Santíssimo cinco Pater, Ave e Gloria, acrescentando mais um pelas intenções do Romano Pontífice. Outrossim, tantas vezes quantas se faça tal visita, podem-se ganhar quinze anos de indulgência.

A seguir, um resumo da história desta devoção, das principais normas litúrgicas e de algumas normas práticas, adequadas às dificuldades das capelas pequenas, nas quais um só sacerdote estará presente.

História

Na Idade Média (pelo menos desde o século X), difundiu-se em muitos lugares a devoção ao Santo Sepulcro do Salvador. Mantinha-se este erigido desde a Adoração da Cruz, na Sexta-Feira Santa, até a Missa de Ressurreição do Domingo de Páscoa.

O Concílio de Trento reforçou a devoção eucarística ao Corpo de Cristo, Corpus Christi
Durante este tempo (cerca de 40 horas) os fiéis oravam diante dele, recitando ou cantando salmos e outras preces, em memória e reconhecimento da morte e sepultura do Senhor, que também esteve no Sepulcro cerca de 40 horas, segundo fundada opinião,

Ao princípio, punha-se no sepulcro o símbolo de Jesus Cristo: a Cruz. No século XII, depositava-se nele o Crucifixo ou a imagem de Cristo. Mais tarde, no século XIV, colocou-se em relicário, incrustado no flanco desta imagem, o mesmo Corpo sacramentado de Jesus (com o qual a função adquiria um caráter de viva realidade, que excitava extraordinariamente a devoção dos fiéis). Por último, colocou-se no Sepulcro — digamos Tabernáculo — unicamente Jesus Sacramentado.

Quarenta horasEntretanto, esta devoção não seguiu em todas as partes o mesmo processo. Já no século X o santo Bispo Ulrico, de Augsburgo, depositava no Sepulcro somente o Santíssimo Sacramento. E no século XII os habitantes de Zara, metrópole da Dalmácia, também velavam Jesus Sacramentado, encerrado no Sepulcro, desde o entardecer de Quinta-Feira Santa até o meio-dia do Sábado Santo, por antecipar-se para este dia a Missa de Ressurreição, como se faz hoje.

Bastava que esta função — chamada já no século XIII Oratio XL Horarum in Passione Domini — se transferisse para outros dias do ano, para que dela resultasse a atual função das 40 Horas. O traslado fez-se no século XVI.

Em 1527, Antonio Belloto fundou na Igreja do Santo Sepulcro de Milão uma confraria, cujo objetivo precípuo era orar durante quarenta horas diante do Santíssimo posto no sepulcro, nas quatro principais festividades do ano, em memória da morte e sepultura de Jesus, com o fim de impetrar remédio para as grandes calamidades que então afligiam a Cristandade.

OstensorioDois anos mais tarde, o Pe. Tomás Nietto, OP, começou a propagar em todas as igrejas paroquiais de Milão essa devoção, divulgada em seguida por Santo Antonio Maria Zaccaria, com fruto ainda mais abundante, tanto em Milão como em Vicenza, pelos anos 1530 a 1534; com a particularidade de que este principiou a celebrar as 40 Horas com o Santíssimo Sacramento visivelmente exposto, como se fazia desde o século XIV em muitos lugares, em outras funções de Exposição.

Vale esclarecer que, quando foi introduzida a procissão de Corpus Christi, na segunda metade do século XIII, o Santíssimo era levado num vaso ou cálice cerrado e coberto por um véu. As custódias ou monstratoria, que através de um cristal deixavam ver o Santíssimo Sacramento, parece que começaram a ser usadas no século XIV, e somente em alguns lugares. Nos tempos de São Carlos Borromeo (1538-1584), observava-se em Milão um vestígio dessa disciplina antiga, pois, se bem que exposto o Santíssimo dentro de um vaso cilíndrico de cristal rematado em pirâmide, através do qual se podia ver a Sagrada Hóstia, tal vaso se cobria com um largo véu, por reverência à Sua Divina Majestade.

A Exposição do Santíssimo — visível ou velado no cálice — para sua adoração pelos fiéis é uma das principais manifestações do desenvolvimento do culto direto a Jesus na Sagrada Eucaristia, que teve lugar sobretudo a partir do século XIII, influindo não pouco sobre essa iniciativa o combate às heresias contra a presença real de Jesus Cristo no Sacramento, que apareceram a partir do século XI até o século XVI. Tais heresias, avivando a crença do povo cristão na divina Eucaristia, fizeram sentir a necessidade de render a Nosso Senhor a homenagem que reclamam Sua divindade e Sua bondade no Santíssimo Sacramento.

Claro que contribuíram para estender mais e mais as Exposições, públicas ou privadas, a Festa de Corpus Christi e o exercício das 40 Horas. Estas manifestações foram o termo feliz da evolução da devoção ao Santo Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo. Deus reservava aos tempos modernos esse foco de piedade da Exposição da Sagrada Eucaristia, que sua Providência nos depara com a habitual suavidade de seus traços divinos.

Santo InácioPor fim, o famoso pregador Pe. José de Fermo promoveu, nos anos 1537 e 1538, a instituição da Adoração Perpétua nas igrejas de Milão, pela qual nestas se sucedia, sem interrupção, a celebração das 40 Horas.

Santo Inácio de Loyola, com os seus, levou esta devoção a Roma. Foram também os jesuítas que a introduziram na Alemanha.

Paulo V a aprovou por primeira vez em 1539, e Clemente XI ordenou definitivamente seu rito, estabelecendo-a em Roma, em turno de Adoração Perpétua, mediante a famosa Instrução Clementina, publicada em 1705.

Da capital do orbe católico, estenderam-se as 40 Horas por todo o mundo.

(Fonte: Pe. José Vendrell, Pe. Antonino Tenas, Pe. Pedro Farnés, Pe. Joaquín Solans, "Manual Litúrgico" - Subirana, Barcelona, 1955, 2º vol., pp. 351-352, 189-390)

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