A todos os homens se estende o domínio de nosso Redentor.
Por outra parte, erraria gravemente quem negasse a Cristo-Homem o poder sobre todas as coisas humanas e temporais, posto que o Pai conferiu-Lhe um direito absolutíssimo sobre as coisas criadas, de tal sorte que todas estão submetidas a Seu arbítrio. Apesar disso, enquanto viveu sobre a terra se absteve inteiramente de exercitar esse poder, e assim como então desprezou a posse e o cuidado das coisas humanas, assim também permitiu, e segue permitindo, que os possuidores delas se utilizem.
Acerca do qual diz bem aquela frase: Não retira os reinos mortais Aquele que dá os celestiais. Portanto, a todos os homens se estende o domínio de nosso Redentor, como afirmam as palavras de nosso predecessor, de feliz memória, Leão XIII, que fazemos, com gosto, nossas: “O império de Cristo se estende não só sobre os povos católicos ou sobre aqueles que tendo recebido o batismo pertencem de direito à Igreja, ainda que o erro os tenha extraviado ou o cisma os separe da caridade, mas compreende também aqueles que não participam da fé cristã, de modo que sob a potestade de Jesus se encontra todo o gênero humano“.
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Ademais, para condenar e reparar de alguma maneira esta apostasia pública pelo laicismo, com tanto dano à sociedade, não parece que deve ajudar grandemente a celebração anual da festa de Cristo Rei entre todos os povos? Em verdade: quanto mais se oprime com indigno silêncio o suave nome de nosso Redentor, nas reuniões internacionais ou nos parlamentos, tanto mais alto há de se gritá-lo e com maior publicidade há se de afirmar os direitos de sua real dignidade e potestade. [...] A celebração desta festa, que se renovará a cada ano, ensinará também às nações que o dever de adorar publicamente e obedecer a Jesus Cristo não só obriga aos particulares, mas também aos magistrados e governantes. A estes trará à memória o pensamento do juízo final, quando Cristo, não só por ter sido retirado do governo do Estado, mas também por ter sido ignorado ou menosprezado, vingará terrivelmente todas estas injúrias; pois sua dignidade real exige que a sociedade inteira se ajuste aos mandamentos divinos e aos princípios cristãos, seja ao estabelecer as leis, seja ao administrar justiça, seja finalmente ao formar as almas dos jovens na sã doutrina e na retidão dos costumes.
Pio XI, Carta Encíclica Quas Primas, sobre a Festa de Cristo Rei, de 11 de dezembro de 1925.
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